Ascensão da direita no continente deixa Brasil isolado

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28.jun.2026 às 23h00

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Mariana Brasil Isabella Menon

Brasília e Washington

O governo brasileiro planeja adotar uma relação pragmática com as novas lideranças de direita da América Latina, após nomes como Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru, assumirem suas respectivas Presidências.

A relação com os países vizinhos não deve ser prejudicada pelas divergências ideológicas com o presidente Lula (PT), segundo interlocutores. Para eles, os interesses em parcerias e na manutenção de uma relação comercial com o Brasil devem prevalecer.

Embora as relações do Brasil com cada governo devam ser preservadas, a crescente da ultradireita no continente deve afetar ações coletivas como na esfera do Mercosul, da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e da reconstituição da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) —dois blocos de diálogo político entre os países sul-americanos.

Caso Lula se reeleja na disputa pela Presidência deste ano, setores do Planalto observam que a integração regional do Brasil com a América Latina pode ser um novo desafio em vista, frente a um ambiente mais rodeado por governos simpáticos à direita.

Por outro lado, há interesses que devem se manter preservados na relação dos vizinhos com o Brasil, como a cooperação com os setores energéticos e de gás, além do interesse no comércio transatlântico.

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O chileno José Antônio Kast é um dos que já manifestaram interesse em manter o diálogo do país com Lula. Ele já solicitou uma reunião bilateral com o brasileiro na cúpula do Mercosul no Paraguai, marcada para ocorrer na capital, Assunção, em 30 junho.

Pouco depois de sua vitória nas urnas, Kast se reuniu com Lula em janeiro deste ano, durante visita dos dois ao Panamá por ocasião do Fórum Econômico Internacional. Após o encontro, o governo brasileiro emitiu uma nota acerca da reunião, em que reforçava a manutenção do diálogo entre os dois países.

Kast havia convidado Lula para sua posse, e Lula chegou a confirmar presença, mas desmarcou a ida na véspera. O cancelamento chamou atenção por ter ocorrido pouco depois de seu provável adversário nas eleições de outubro, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciar participação na cerimônia. O governo brasileiro não informou, de forma oficial, o motivo da mudança de planos, e designou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para representar o Brasil.

Nas eleições peruanas, os votos ainda estão sendo contabilizados em uma apuração que se arrasta, mas a populista de direita Keiko Fujimori já é considerada matematicamente eleita.

A esquerda se tornou minoria no continente. Hoje, a direita governa Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai, Chile e Argentina.

As mudanças nos países vizinhos afastaram aliados considerados importantes para Lula, como Gabriel Boric (Chile) e Gustavo Petro (Colômbia). Junto ao Brasil, entre governos mais alinhados à esquerda, estão Uruguai, Guiana, Suriname e Venezuela.

O cenário atual é oposto de quando Lula se elegeu em 2022. Naquele ano, Argentina, Bolívia, Chile, Guiana, Peru, Venezuela e a própria Colômbia eram governadas pela esquerda. A vitória de Lula parecia ser o prenúncio de uma nova versão da chamada onda rosa na América Latina, como ficou conhecido o período dos anos 2000 em que governos de esquerda triunfaram na região.

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