Documento anual enviado ao Congresso faz reprimenda nominal ao governo brasileiro; país fica fora das listas formais, mas recebe crítica direta de Washington

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16.set.2026 às 13h06 Atualizado: 16.set.2026 às 17h00

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O governo Donald Trump afirmou que o Brasil "falhou em confrontar" o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) e disse que as duas facções transformaram o país em um centro para o fluxo global de cocaína.

A crítica aparece em um documento enviado pela Casa Branca ao Congresso americano nesta terça-feira (15). No relatório, a gestão Trump identifica os países considerados grandes produtores de entorpecentes ou importantes rotas de narcotráfico e avalia os esforços de governos estrangeiros no combate às drogas.

O documento é exigido por lei e enviado anualmente ao Congresso. O governo americano diz que a inclusão de um país na lista não representa necessariamente uma avaliação negativa sobre os esforços de seu governo, já que a classificação também leva em conta fatores geográficos, comerciais e econômicos.

Na lista deste ano, Washington classificou 23 países como grandes produtores ou rotas de drogas, entre eles México, Colômbia, Venezuela, Peru, Bolívia e Equador. O Brasil não aparece nessa relação.

O presidente americano também apontou quatro países —Afeganistão, Bolívia, Mianmar e Colômbia— como governos que não fizeram esforços suficientes para cumprir seus compromissos no combate às drogas nos últimos 12 meses. O Brasil também não integra essa categoria.

A segunda classificação pode ter consequências concretas: pela legislação americana, países considerados como tendo "falhado de forma demonstrável" podem sofrer restrições a determinadas formas de assistência dos Estados Unidos, salvo exceções concedidas pelo presidente.

No caso do Brasil, porém, a crítica feita por Trump não aciona esse tipo de medida, já que o país não foi incluído em nenhuma das classificações formais.

Apesar de não incluir o país em nenhuma dessas duas classificações formais, Trump reservou um trecho específico da determinação para fazer uma crítica direta ao governo Lula (PT). "Enquanto muitos governos no hemisfério ocidental [termo que nos EUA costuma indicar as Américas] estão tomando medidas corajosas para reduzir o fluxo de drogas e erradicar cartéis, o governo do Brasil falhou em confrontar" o PCC e o Comando Vermelho, afirma o texto.

Segundo a Casa Branca, as duas facções "transformaram o Brasil em um hub para os fluxos globais de cocaína" e representam uma ameaça crescente à paz e à segurança internacionais. Trump afirma ainda que o governo brasileiro precisa tomar "medidas agressivas" para combater e derrotar os grupos.

"Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa adotar com urgência medidas firmes para enfrentá-las e derrotá-las antes que se espalhem e se fortaleçam", diz o governo americano.

A menção ao Brasil representa uma mudança em relação ao relatório do ano passado, quando o país não foi citado. Em 2025, a Casa Branca concentrou suas críticas em países como México, China, Colômbia e Venezuela e tratou de forma mais ampla do uso de designações terroristas e sanções contra cartéis e outras organizações criminosas transnacionais.

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Neste ano, o Brasil continua fora da lista oficial de grandes produtores ou rotas de drogas e não recebeu a classificação de governo que "falhou de forma demonstrável" em suas obrigações. Ainda assim, foi ser alvo de uma reprimenda nominal da Casa Branca.