Ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad participa de evento na Fundação FHC, em São Paulo Vinicius Doti/Fundação FHC O ex-ministro e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, destacou o combate ao crime organizado “no andar de cima”, ao feminic…

O ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), priorizou a área de segurança ao divulgar as propostas de seu programa de governo e destacou o combate ao feminicídio, ao roubo e furto de celulares e ao crime organizado entre suas bandeiras. Haddad prometeu, se eleito, combater a impunidade e propôs usar a inteligência artificial para prevenir e investigar crimes.

Entre as propostas do petista, estão a possibilidade de registrar um boletim de ocorrência pelo WhatsApp; a valorização salarial dos policiais; a criação de uma agência comandada pelo governador para combater o crime organizado, e a retomada das gravações contínuas das câmeras corporais dos policiais. Haddad afirmou que, se eleito, dará mais transparência a dados da área, com a divulgação de um “placar da segurança”, com indicadores de esclarecimento de roubo, furto, homicídio e feminicídio, com dados abertos por região e com metas públicas. O candidato, no entanto, não quis antecipar as metas.

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A divulgação do programa “SP Protege”, na segunda-feira (10), reuniu a chapa do petista, com o vice, Márcio França (PSB), e as candidatas ao Senado, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Uma das estrelas foi o ex-apresentador José Luiz Datena (PSB), candidato a deputado federal, que defendeu “bandido na cadeia”. Em comum, a chapa pregou o fim da impunidade e o combate ao crime organizado.

A prioridade dada à segurança faz parte de uma estratégia da campanha de Haddad para tentar ampliar o apoio junto ao eleitorado mais conservador e buscar o diálogo com o interior paulista, que resiste à esquerda.

O tema deve permear os discursos na disputa contra o governador do Estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição. Segurança é a área com pior avaliação da gestão Tarcísio e a violência é o principal problema do Estado, segundo pesquisas. De acordo com o levantamento Genial/Quaest de julho, 34% dos entrevistados citaram segurança como o principal problema. Na sequência está saúde, com 19%, e educação, com 6%. A atuação do governo na área é avaliada de forma negativa por 39%, regular por 37% e 24% acham positiva.

O coordenador do programa de governo, Emídio de Souza, destacou: “Segurança é ‘o’ tema”. Em seguida, reforçou que "São Paulo será um Estado onde a impunidade não vai mais imperar."

Conhecido por denunciar problemas na segurança no rádio e na televisão, Datena falou sobre o avanço das facções criminosas no Estado, sobretudo na economia forma. "A pergunta não é onde o PCC está, não onde o PCC não está. O PCC está na Faria Lima, misturando dinheiro sujo com limpo, talvez até com empresários que não sabem disso, está elegendo políticos. O que acontece na rua, com crime, roubo de celular, é do crime organizado." O apresentador e candidato pediu um voto de confiança em Haddad. “Aceitem a mão amiga de quem quer lutar pelo povo e tem ódio de bandido.”

Simone Tebet reforçou o coro de que “lugar de bandido é na cadeia” e o combate ao crime organizado. “Do lado de cá, não tem compromisso com o erro, com o crime organizado, com o PCC. Do lado de lá eu não sei”, disse. A candidata afirmou que o crime organizado do Rio de Janeiro se infiltrou em São Paulo e “o governo do Estado não faz nada”. “O único candidato capaz de erradicar e combater o crime organizado é quem não tem rabo preso. E Haddad não tem.”

Uma das propostas é criar a Agência Estadual Antifacção, para barrar a infiltração de facções criminosas na economia formal e no mercado financeiro — ou “no andar de cima”, como diz o programa. A agência será comandada pelo governador e atuar em parceria com o Ministério Público estadual e federal, a Receita Federal, a Polícia Federal, e órgãos de controle. “Vamos transformar a cooperação em regra”, disse Haddad.

O objetivo, segundo o programa, será desarticular as organizações criminosas com bloqueios de patrimônio, retirada de mecanismos criminosos que operam na economia formal e destinação social de bens confiscados. Como exemplo a ser seguido, Haddad citou a Operação Carbono Oculto, que mirou em organizações criminosas em um esquema de lavagem de dinheiro, fraudes e sonegação no setor de combustíveis.

Haddad defendeu ações do governo federal, comandado pelo presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em uma “vacina” às críticas que deve receber na disputa pelo governo estadual. Lula é o principal cabo eleitoral de Haddad e a violência também é citada, no plano federal, como o principal problema do país, segundo pesquisas. O candidato disse que vai combater o crime organizado “assim como fez o governo federal”, ao citar o combate a organizações criminosas em operações envolvendo empresários e agentes financeiros.

Ainda contra as facções, o petista afirmou que criará uma força-tarefa permanente no Porto de Santos, para combater o tráfico transacional e outros crimes que usem o porto “como porta de saída”.

Em um aceno ao setor produtivo e ao agronegócio, do interior do Estado, propôs patrulhar corredores logísticos para combater o roubo de cargas, além do combate ao furto de gado, maquinário, defensivos e insumos. "Tem havido cada vez mais a incidência de roubos e furtos na zona rural. Me preocupa o fortalecimento de milícias a partir desse crime. Já há sinais claros do aparecimento de um tipo de crime que não era comum em São Paulo", disse Haddad. "Se o governo não atacar o foco onde nasce, fica incontrolável. Na Baixada Santista, esse germe de milícia já é notável para alguns integrantes do Ministério Público."

Ao citar o aumento dos casos de feminicídio, Haddad propôs fortalecer a ação da Delegacia da Mulher, com o uso de inteligência artificial para cruzar dados e alertas e agilizar o acionamento da polícia. O programa promete dar atendimento especializado para crianças e adolescentes vítimas de violência e a realização de prova pericial em até 48 horas.

No primeiro semestre deste ano, os casos de feminicídio chegaram ao maior patamar da série histórica, iniciada em 2018, com 141 registros. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta foi de 10%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública. O aumento de feminicídios em 2026 foi puxado pelo interior do estado, que registrou 96 boletins de ocorrência de janeiro a junho, contra 70 no ano anterior.

Haddad vinculou o aumento da violência contra as mulheres e pessoas negras no Estado ao avanço do bolsonarismo, capitaneado por Tarcísio, afilhado político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "O discurso de intolerância chegou em São Paulo pelas mãos do bolsonarismo, da mesma forma que tem um discurso contra vacina que reduz a cobertura vacinal. Eles insistem em uma tese e parte da população vai assimilando isso como se fosse um valor", afirmou o candidato.

"O discurso contra a intolerância tem que ter voz de comando no Estado. Não é possível o Estado viver uma escalada de crimes contra a população negra e contra as mulheres. Isso tem muito a ver com a liderança. A voz que organiza a sociedade tem um peso muito grande."

Salários melhores e câmeras corporais

De forma genérica, o programa propõe a valorização da polícia, com um plano de carreira, mas não detalha o que pretende alterar do atual plano de carreira em vigor. Diz apenas que as promoções serão por “critérios profissionais, sem interferência política”.