Ex-ministro criticou casos de corrupção na PM durante gestão Tarcísio de Freitas

Compartilhar matériaO pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) criticou a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) quanto à remuneração dada às polícias do Estado.

"É o estado mais rico da federação e o que tem menor salário, um dos menores salários de policial militar e policial civil", disse Haddad em entrevista ao Jornal Novabrasil nesta quinta-feira (23).

"Em São Paulo, você tem casos graves de corrupção, inclusive na PM, que não existiam. O comandante geral da Polícia Militar, indicado pelo Tarcísio, teve que ser afastado por ligação com o crime organizado, [...] isso é muito ruim para a corporação, o papel do governador é zelar pela saúde das corporações policiais", concluiu o ex-ministro.

A declaração surge em ano eleitoral com forte disputa no campo da segurança pública, tido como principal damanda do eleitorado. Em fevereiro, Tarcísio publicou um edital de licitação que previa uma verba de R$ 18,2 milhões para ampliar a estrutura de comunicação da SSP (Secretaria da Segurança Pública), segundo nota oficial enviada à CNN.

Durante evento de anúncio de sua chapa, em junho, Haddad já havia comentado sobre apresentar um plano para combater a violência no estado. "A segurança vai ser prioridade, nós vamos apresentar um plano de segurança, eu já alinhei algumas características desse plano que nunca foi feito da forma que vai ser", afirmou.

Já sobre a infraestrutura do estado, citando as obras do Trem Intercidades e do túnel Santos-Guarujá, o ex-ministro criticou Tarcísio por alegações de falta de apoio do Governo Federal.

"Eu fico indignado com a falta de honestidade intelectual do Tarcísio em reconhecer o que o Governo Federal faz por São Paulo. Esses dias eu vi ele falar que precisamos de um presidente que apoia São Paulo. Se tem uma coisa que ele sabe que recebeu foi apoio do Governo Federal, ao contrário do Doria que não recebeu nada do Governo Bolsonaro", disse Haddad.

Por meio de nota, a SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo) rebateu as críticas de Haddad e afirmou que "tem adotado política consistente de valorização e reestruturação das forças de segurança".

O texto ainda diz que, desde janeiro de 2023, as forças policiais civil, militar e técnico-científica receberam reajuste salarial médio acumulado de 35,2%, o que seria um valor superior à inflação do período.

Confira a íntegra da nota:

Desde janeiro de 2023, o Governo do Estado tem adotado política consistente de valorização e reestruturação das forças de segurança. Em pouco mais de três anos, os profissionais das polícias Civil, Militar e Técnico-Científica receberam reajuste salarial médio acumulado de 35,2%, percentual superior à inflação do período, além da modernização dos planos de carreira das duas corporações, com critérios mais objetivos e previsíveis para promoção.

A recomposição do efetivo, insuficiente há décadas, também segue em ritmo acelerado: desde o início da gestão, 16,2 mil policiais foram incorporados às forças de segurança, outros 2,2 mil estão em formação e há concursos abertos para mais 5,6 mil vagas. Esses investimentos se refletem diretamente nos indicadores criminais. Entre janeiro e abril deste ano, São Paulo registrou os menores índices dos últimos 26 anos para homicídios dolosos, latrocínios e roubos em geral.

Na comparação com o mesmo período de 2025, os homicídios caíram 3,7%, os latrocínios 39,2%, os roubos em geral 17,9%, os roubos de veículos 34,6% e os roubos de carga 33,5%. No período, as forças de segurança prenderam ou apreenderam quase 74 mil infratores, retiraram mais de 4,1 mil armas de circulação e apreenderam mais de 50 toneladas de drogas.

Paralelamente, as ações de policiamento têm sido intensificadas em todas as regiões do Estado, em especial nas áreas com maiores índices de criminalidade, com o objetivo de reduzir também a sensação de insegurança da população.