Acervo com relíquias da aviação de guerra no bairro Humaitá, em Porto Alegre, será aberto para visitação pública ainda este ano.
Por Jonas Campos, Diego Nuñez, g1 RS e RBS TV
01/11/2026 01h00 Atualizado 01/11/2026
Um colecionador prepara um museu em Porto Alegre com 46 aeronaves militares em restauração. O espaço deve ser inaugurado ainda este ano na capital gaúcha.
O acervo tem um helicóptero H-1H da Guerra do Vietnã. Há também 2 aviões P-95 que atuaram na Guerra das Malvinas em 1982.
Um caça F-5 acidentado em 2016 foi cortado para transporte terrestre até o Sul. Os pilotos ejetaram e sobreviveram na ocasião.
A cabine de um Douglas C-47 da Segunda Guerra Mundial foi recuperada. O colecionador Luciano reconstrói outras peças com chapas planas e acabamento.
Com helicóptero do Vietnã e caça das Malvinas, colecionador vai abrir museu no RS
Um colecionador está restaurando 46 aeronaves militares em uma oficina localizada no bairro Humaitá, na Zona Norte de Porto Alegre. O acervo, composto por aviões e helicópteros comprados em leilões, está sendo preparado para integrar um museu com abertura prevista para este ano na capital gaúcha.
As aeronaves foram adquiridas de instituições como a Força Aérea Brasileira (FAB), a Marinha e de outros colecionadores. Entre os itens da coleção, há um helicóptero modelo H-1H, fabricado nos Estados Unidos e utilizado na Guerra do Vietnã. A fuselagem da aeronave ainda preserva marcas dos combates.
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"Ele foi amplamente difundido na Guerra do Vietnã. Foi usado como 'faz tudo' do Vietnã, tratorzão voador, fazia transporte de tropa, transporte de munição, incursão pelo ar, fazia lançamento de medicamentos, munições, resgate, aeromédico", explica o restaurador e colecionador Luciano Schneider, presidente da Associação Cultural de Preservação Patrimônio Histórico Militar.
A oficina também abriga duas aeronaves modelo P-95 que participaram da Guerra das Malvinas, conflito entre Argentina e Inglaterra ocorrido entre abril e junho de 1982.
"Tenho o histórico delas, até a época que foram cedidas para a armada argentina para fazer a patrulha marítima durante a guerra", afirma Luciano.
Outro destaque do acervo é um caça F-5 que sofreu um acidente no dia 5 de julho de 2016. Durante um sobrevoo na Base Aérea de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o trem de pouso apresentou falha. O piloto e o copiloto consumiram todo o combustível, ejetaram-se e sobreviveram. A aeronave caiu em uma área de campo, preservando a maior parte da estrutura.
Por ser considerado armamento, o F-5 precisou ser cortado em pedaços após a compra no leilão para ser transportado por via terrestre até o Rio Grande do Sul.
"A gente acabou soldando as partes dele e colocando tudo de volta no lugar. Então a gente faz um trabalho de chapeação e pintura veicular", diz o colecionador.
O trabalho de recuperação também se estende a um Douglas C-47, avião militar usado pelos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial para o lançamento de paraquedistas e, posteriormente, doado à FAB.
"Quando foi descoberto, já estava sendo todo triturado. O que a gente conseguiu restaurar foi a cabine. Conta com toda a estrutura de painel, manetes de potência, manche, tá todo bonitinho", relata.
Em alguns casos, a reconstrução exige adaptações. Um dos helicópteros chegou à oficina completamente desmontado, sem a parte da frente, portas e para-brisa: "Tu tira uma peça de um, tira de outro. Compra chapa plana, dá o formato e vai aplicando. Depois vai fazendo acabamento, tinta, não vai dar para ver essa emenda".
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