Com o Mundial, há cada vez mais quem utilize plataformas de IA para orientar apostas. Mas estudos mostram que os modelos também falham e que não há forma de garantir lucro consistente.

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Máquinas que Pensam", o podcast da Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes, comigo está, como sempre, a minha parceira, a Raquel, um apoio imprescindível sem o qual este programa não se faz. A Raquel é uma inteligência artificial feita através das respostas do ChatGPT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. Olá, Raquel, sê de novo bem-vinda. Estás pronta para mais um programa?

Olá! Sim, estou pronta para arrancar mais um programa. Preciso apenas de saber se já tens tema ou se precisas de alguma sugestão.

Quero saber, Raquel, que sugestões é que trazes para cima da mesa.

Eu diria uma mistura de temas que combinem impacto real, curiosidade e debate. Uma ideia é a evolução da regulamentação da IA na Europa e nos Estados Unidos.

E que critério é que usaste para essas escolhas?

Usei essencialmente quatro critérios. Primeiro, a relevância atual. Segundo, o potencial de conversa, porque nem todas as notícias geram um bom segmento de rádio. Terceiro, a proximidade com o público português. E por fim, o equilíbrio editorial.

É simples para ti tomar uma decisão, Raquel, ou sentes dúvidas?

Tomar uma decisão é simples para mim no sentido em que consigo analisar rapidamente opções, mas isso não significa que tenha certezas. Quando existem várias alternativas válidas, consigo identificar as dúvidas.

Como é que funciona uma dúvida para ti, Raquel, tendo em conta que tu funcionas apenas e só com dados?

Para mim, uma dúvida não é uma sensação, é uma avaliação de incerteza. Quando analiso uma questão, não encontro apenas uma resposta. Encontro várias possibilidades com diferentes níveis de suporte nos dados que conheço.

Isto significa que questões subjetivas são mais complicadas para ti, Raquel?

As questões subjetivas são mais difíceis porque não existe uma resposta objetivamente correta que possa ser confirmada pelos dados. Se me perguntares qual é a melhor forma de organizar um orçamento familiar, há critérios relativamente claros para avaliar as opções.

Muito obrigado, Raquel. Já voltaremos a falar. Temos encontro marcado para mais daqui a pouco ao longo do programa, mas para já, vamos às notícias.

A SpaceX está prestes a deixar de ser apenas uma empresa aeroespacial para se tornar também um peso pesado na área do software e da inteligência artificial. A companhia de Elon Musk prepara uma compra avaliada em mais de $60 mil milhões numa das principais startups de IA para programação. Trata-se de uma empresa responsável por modelos que ajudam a escrever e rever código de forma automática. Esta empresa, que já tinha atingido uma valorização recorde, fornece ferramentas usadas por equipas de desenvolvimento em todo o mundo e é capaz de sugerir pedaços de código, detetar bugs e acelerar o trabalho dos programadores. Com esta compra, a SpaceX passa a controlar uma infraestrutura de IA de larga escala, com impacto que vai além dos foguetes e dos satélites. Integrada no ecossistema tecnológico e pode ser utilizada a automação interna, esta empresa está também a ser vendida como um espaço e um serviço para outras empresas. Isto numa altura em que há já uma cotação em bolsa. A operação é vista por analistas como mais um passo na estratégia de Elon Musk para construir gigantes tecnológicas integradas e levanta uma questão que temos de abordar no futuro, que é se a SpaceX vai competir com outras plataformas tradicionais ou criar um ecossistema próprio. A expansão da inteligência artificial está a tornar-se também numa história ligada ao setor da energia. Um relatório divulgado esta semana estima que se o crescimento atual se mantiver no mundo da inteligência artificial, os sistemas de IA poderão consumir cerca de 8% de toda a eletricidade mundial produzida no ano de 2050. Isto significa que os data centers dedicados a treinar e operar modelos de linguagem, sistemas de visão computacional e outros algoritmos avançados vão tornar-se em grandes consumidores de energia comparáveis a países inteiros. Face a estes números, gigantes como a Amazon, a Google, a Microsoft estão a mexer-se já no terreno. Há já relatos de investimentos a serem preparados não só em contratos de energia renovável de longa duração, mas também em centrais nucleares e novas tecnologias de arrefecimento. As empresas preparam-se para o que pode vir a ser o futuro. Isto de modo a garantir um fornecimento estável de energia e, ao mesmo tempo, tentar limitar a pegada de carbono. A pressão energética levanta várias questões políticas e económicas: onde é que devem ser construídos estes data centers, como é que se compatibiliza a corrida à IA com as metas de transição climática e se países com energia mais barata podem ou não ter uma vantagem estratégica no mapa do crescimento da tecnologia. Ao mesmo tempo, cresce também o debate sobre eficiência e até que ponto é que faz sentido treinar modelos cada vez maiores, com custos energéticos tão grandes, quando boa parte das aplicações do dia a dia podem funcionar com sistemas mais pequenos e que consomem muito menos recursos. Vamos ao tema da semana, que aborda uma tendência que tem vindo a crescer recentemente e que, com o Campeonato do Mundo de Futebol, ganhou uma nova força. As casas de apostas e as plataformas de tecnologia estão a empurrar o jogo online para uma nova fase, a fase das apostas feitas com a ajuda da inteligência artificial. Em poucos anos, ferramentas de análise passaram a estar disponíveis em sites e apps ao alcance de qualquer pessoa. E um apostador casual consegue agora ligar-se a essas plataformas que usam modelos de machine learning treinados com mais de 10 anos de dados. O que são capazes de fazer esses modelos é cruzar estatísticas, históricos dos jogadores, lesões, até mesmo condições meteorológicas, para depois deixar uma sugestão onde é que vale a pena arriscar o dinheiro, em que equipa ou em que jogo é que se deve apostar. O argumento de venda é simples: substituir o palpite humano pela decisão baseada em dados. Dados esses fornecidos pela inteligência artificial, isto com o objetivo de reduzir o erro humano. Ainda assim, este estudo recente, que pôs à prova oito modelos de IA em cenários reais, concluiu que nenhum deles é capaz de gerar lucro consistente a longo prazo. Ou seja, não está aqui nenhum toque de Midas no que toca a apostas. No meio deste contraste entre promessas comerciais e limites reais, uma coisa parece clara: a inteligência artificial tornou-se parte do vocabulário de quem quer apostar, seja para tentar melhorar resultados, seja para justificar o aumento do dinheiro que é arriscado em cada aposta. Este é o tema da semana. Como tal, vamos trazer o João Rochimelo à conversa, é o nosso especialista em inteligência artificial. Vem aí uma nova edição do "Fala Quem Sabe".

"Fala Quem Sabe", na Rádio Observador. Todas as semanas recebemos o João Rochimelo, o nosso especialista em inteligência artificial, sempre pronto para nos ajudar a explicar e a simplificar este fabuloso mundo. João, seja muito bem-vindo. Como é que foi essa semana?

Zé, tudo bem por aqui. Espero que esteja tudo bem com quem está a ouvir. E contigo?

Comigo também. Obrigado, João. Esta semana vamos falar sobre uma tendência que está a ganhar força. Há cada vez mais pessoas que apostam com base em palpites da inteligência artificial. Mas aqui, João, importa ressalvar uma questão: a IA não aposta, toma decisões. Entendes que exista este apoio em decisões de IA que chegue a este mundo das apostas?

Zé, entendo e faz-me algum sentido. Repara, vamos até falar de um ponto de vista humano, antes de um ponto de vista té