Depois da maior alta semanal do Ibovespa desde 2020, investidor volta à bolsa dados de crescimento, inflação e pesquisas

Depois da maior alta semanal do Ibovespa desde 2020, investidor volta ao mercado com dados de crescimento econômico e inflação no centro das atenções; confira o calendário da semana

18:00 - atualizado às 17:49

O investidor volta do feriado com o mercado em outro patamar. Na semana passada, o Ibovespa engatou a maior alta semanal desde março de 2020, de 8,82%, e fechou a sexta-feira (9) aos 209.066,90 pontos, novo recorde nominal histórico. O dólar à vista terminou a semana a R$ 4,9851, com queda acumulada de 0,44%. 

O motor da arrancada não foi a urna em si: a leitura predominante no mercado é de maior probabilidade de uma agenda mais voltada ao ajuste das contas públicas a partir de 2027. Essa aposta mexeu com os juros futuros. A curva derreteu mais de 100 pontos-base nos vértices médios e longos só na segunda-feira, e os vencimentos longos saíram de perto de 14% para a casa dos 12%. 

 O mercado também passou a precificar mais de 90% de chance de cortes de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro e dezembro, com taxa terminal de 2027 abaixo de 12%. 

Para o bolso do investidor, juro futuro mais baixo costuma beneficiar as empresas mais sensíveis ao crédito e ao consumo. Por isso as maiores altas da semana foram de Magazine Luiza (MGLU3), com +60,58%, Vamos (VAMO3), com +44,73%, e Smart Fit (SMFT3), com +43,96%.  

Do outro lado, só oito ações caíram. Embraer (EMBJ3), com -9,20%, e Vale (VALE3), com -5,83%, lideraram as perdas. 

Agora, o recorde vai esbarrar em uma agenda de indicadores que pode testar o ânimo dos investidores. Como nesta segunda-feira (12) foi feriado por aqui, a agenda brasileira começa nesta terça-feira (13), com o Boletim Focus, às 8h25, e a balança comercial semanal, às 15h.  

O prato principal vem a partir de quarta-feira (14), com os dados de atividade de agosto:  o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O Bradesco projeta alta de 0,5% no mês. 

Na quinta-feira (15), às 9h, sai a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC). A projeção do banco é de avanço de 0,9%. 

Na sexta-feira (16), às 9h, o Banco Central divulga o IBC-Br, índice mensal de atividade econômica. A expectativa do Bradesco é de alta de 0,3% sobre julho. 

Apesar de os números esperados serem positivos, a leitura do banco é de que eles não devem sinalizar reversão da desaceleração da economia. Isso é condizente com a expectativa do banco de Produto Interno Bruto (PIB) próximo da estabilidade no terceiro trimestre. 

Na sexta-feira (16), às 8h, também sai o IPC-S da FGV. Vale lembrar do pano de fundo da inflação. O IPCA, principal medida da inflação no Brasil, subiu 0,82% em setembro, acima do esperado, e acumula 4,58% em 12 meses, acima do teto da meta do BC. O teto é de 4,5%, que é a meta de 3% mais 1,5 ponto percentual de tolerância. 

Além dos indicadores econômicos, duas novas pesquisas de intenção de voto serão divulgadas nesta semana. A Quaest e o Datafolha vão indicar como está a disputa à Presidência da República entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). 

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a primeira pesquisa de segundo turno feita pela Quaest deve ser divulgada na quarta-feira (14). O levantamento deve ouvir 2.154 pessoas de 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. 

Já a pesquisa feita pelo Instituto Datafolha está prevista sair na quinta-feira (15), e prevê entrevistas com 2.520 eleitores, realizadas entre 13 e 15 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.  

As bolsas lá foram devem reagir ao índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) de setembro nos EUA na quarta-feira (14), às 9h30.  

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) elevou os juros em setembro pela primeira vez em três anos, para o intervalo de 3,75% a 4,00%, e sinalizou novo aumento ainda neste ano. Por isso, o dado pesa nas apostas para a reunião de outubro. 

O mercado espera aceleração da inflação cheia para a faixa de 3,6% a 3,7% em 12 meses, ante 3,4% em agosto, por causa principalmente da alta da gasolina. O núcleo, que exclui itens mais voláteis, deve ficar estável, em torno de 2,4% ao ano. No mesmo dia, às 15h, o Fed publica o Livro Bege. 

Hoje, as apostas ainda não apontam mudança em outubro. Na sexta-feira (9), o FedWatch, do CME Group, indicava cerca de 82,3% de chance de manutenção dos juros no intervalo atual.  

Para dezembro, a probabilidade de alta de pelo menos 25 pontos-base passava de 80%. Os yields (rendimentos) dos Treasurys, os títulos do Tesouro norte-americano, renovaram máximas em 24 anos.