Pesquisa PoderData/Aya mostra Flávio com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula
Priorize VEJA no Google O Ibovespa opera em forte alta nesta quinta-feira, 3, em meio à repercussão de novas pesquisas eleitorais que apontam uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para as eleições de 2026. Entre os levantamentos divulgados nesta quinta-feira, a pesquisa PoderData/Aya mostra Flávio com 45% das intenções de voto, ante 44% de Lula. Com a agenda doméstica esvaziada, o mercado concentra as atenções no cenário eleitoral e nos possíveis impactos sobre a política econômica a partir de 2027.
Por volta das 11h30, o Ibovespa subia 0,69%, aos 186.483,37 pontos, enquanto o dólar recuava 0,01%, a 5,10 reais. Uma série de pesquisas divulgadas nesta quinta-feira aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com os levantamentos indicando perda de força do presidente e avanço do senador.
A pesquisa PoderData/Aya, que mostra Flávio numericamente à frente de Lula,. A percepção dos investidores é influenciada pela possibilidade de uma eventual mudança de governo e pelas propostas econômicas associadas ao candidato do PL, cuja equipe defende medidas de contenção de despesas obrigatórias, incluindo gastos com Previdência e benefícios sociais.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, o mercado interpreta o avanço de uma candidatura percebida como mais comprometida com a disciplina fiscal como um aumento da possibilidade de alternância de poder em 2027.
“Isso não significa que um resultado eleitoral já esteja definido nem que essa avaliação seja consensual. Significa apenas que os investidores passaram a atribuir maior probabilidade a um cenário de contenção de gastos e estabilização da dívida”, diz Murad.
Segundo o especialista, a perspectiva de redução das despesas obrigatórias, que são puxadas por previdência. “Lula dificilmente adotaria uma medida de corte de gastos nesse benefício social. Por isso, o mercado vê uma vitória de Flávio Bolsonaro com bons olhos”, afirma.
A leitura ajuda a explicar o movimento dos ativos domésticos. Os juros futuros recuam, o real se valoriza e as ações avançam, com destaque para setores mais sensíveis à queda dos juros, como bancos, varejistas, construtoras e empresas mais endividadas. “É a continuidade do chamado ‘trade eleitoral’, que já havia levado o Ibovespa a subir cerca de 3% na sessão anterior”, afirma Murad.
A queda do dólar ante o real, porém, não é explicada apenas pelo cenário político doméstico. A moeda americana também perde força no exterior nesta quinta-feira, em um movimento influenciado principalmente pela valorização do iene japonês, que avançava quase 2% diante do aumento das apostas de que o Banco do Japão poderá elevar os juros.
O movimento pesa sobre o DXY, índice que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas e no qual o iene tem participação relevante. “Quando a moeda japonesa sobe com força diante do dólar, ela puxa o DXY para baixo, mesmo que a moeda americana não esteja caindo com a mesma intensidade perante todas as demais divisas”, explica Murad.
O ambiente externo também é influenciado pelos dados recentes do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que vieram abaixo das expectativas e reforçaram as apostas em uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve.
“Se o mercado espera juros americanos menores, os títulos dos EUA oferecem uma remuneração relativamente menos atraente e a demanda internacional por dólares diminui”, conclui o consultor.


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