Por volta das 10h30, o Ibovespa subia 0,17%, aos 175.845,96 pontos
Priorizar nos meus resultados Google O Ibovespa abriu em alta nesta sexta-feira, 7, devido ao balanço positivo da Petrobras. No entanto, com o passar tempo o mercado virou com o investidores entendendo que esses resultados da estatal não se sustentam para os próximos trimestres e com um relatório do UBS apontado crise financeira para o Brasil em 2027. No exterior, os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos reduziram as apostas em uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed). Isso poderia favorecer a Bolsa brasileira, mas a perspectiva negativa para a Petrobras nos próximos trimestres dominou o cenário local.
Por volta das 12h30, o Ibovespa recuava 1,54%, aos 172.844,13 pontos. O dólar recuava 0,25%, cotado a 5,09 reais. As ações da Petrobras caíam 1,33%, a 41,57 reais. Na abertura, os papéis chegaram a subir 2%, alcançando 42,91 reais.
Na noite de quinta-feira, a companhia divulgou lucro líquido de 85 bilhões de reais no primeiro semestre de 2026, alta de 38% em relação ao mesmo período do ano passado. Considerando apenas o segundo trimestre, o lucro atingiu 52,4 bilhões de reais, crescimento de 97% na comparação anual.
Em dólares, a estatal registrou lucro líquido de 10,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, acima do consenso de mercado compilado pelo BTG Pactual, que projetava 7 bilhões de dólares.
Para os analistas do Safra, o balanço da Petrobras foi “excepcional”. Na avaliação da equipe, a companhia entregou forte crescimento de receita, lucro e geração de caixa, beneficiada pela valorização do petróleo e por um desempenho operacional acima das expectativas.
Apesar do resultado robusto, analistas ouvidos por VEJA Negócios avaliam que o segundo semestre pode apresentar desafios adicionais para a estatal, principalmente diante das incertezas sobre o preço do petróleo, a política de investimentos e o cenário eleitoral.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, comenta que essa perspectiva futura do mercado acabou pesando sobre a empresa, o que fez investidores a começarem a se desfazer dos papéis da estatal.
“Depois da reação inicial aos números, os investidores passaram a olhar a principalmente para a sustentabilidade desse resultado. Isso não indica que o balanço foi ruim, mas reflete o equilíbrio entre resultados operacionais muito fortes e dúvidas sobre petróleo nos próximos trimestres que serão marcados pela eleição”, afirma Lima.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, explica também que a queda em outras ações marca uma semana negativa para o Ibovespa. O analista destaca um relatório do UBS que aponta uma crise para o Brasil em 2027 devido as regras fiscais ineficientes. “Os grandes players passaram a vender diante desse cenário”, afirma Sant’Anna
Os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, conhecidos como payroll, vieram abaixo das expectativas. O consenso do Broadcast apontava para a criação de 80 mil vagas em julho, mas os números divulgados pelo Bureau of Labor Statistics mostraram o fechamento de 23 mil postos de trabalho no período.
Embora o resultado seja negativo para a economia americana, ele foi bem recebido pelos mercados financeiros. Um mercado de trabalho menos aquecido reduz a pressão inflacionária e diminui a necessidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve.
Após a divulgação dos dados, as apostas dos investidores negociadas na Bolsa de Chicago mudaram de direção. A probabilidade de uma alta de juros na reunião de setembro caiu para 42,1%, ante 55,0% no dia anterior. Já a chance de manutenção das taxas subiu para 57,9%, de 45,0%.
Com o mercado passando a precificar maior probabilidade de manutenção dos juros nos Estados Unidos, ativos de risco, como as ações brasileiras, ganham atratividade. No entanto, as questões internas pesaram mais e o Ibovespa passou a cair.
“Nem isso foi suficiente, o investidor segue o mau humor da semana com venda de Brasil. O problema é interno e não externo”, conclui Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing. Na próxima semana, a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos deverá ajudar a calibrar as expectativas dos investidores para os próximos passos do Fed.


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