Pedro Rodrigues, do CBIE, alerta para riscos à segurança energética em 2027 diante de possível redução das chuvas e aumento do consumo de eletricidade

Pedro Rodrigues, do CBIE, alerta para riscos à segurança energética em 2027 diante de possível redução das chuvas e aumento do consumo de eletricidade

Infografia/Poder360 - 30.jul.2026

31.out.2026 (sábado) - 6h00 Priorize o Poder no Google

O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lança neste sábado (31.out.2026) o 186º episódio do programa “Infra em 1 Minuto”. No vídeo, o especialista em energia Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa os riscos do fenômeno climático El Niño para o setor elétrico brasileiro e seus possíveis impactos sobre o preço da energia em 2027.

O programa é publicado semanalmente no canal do Poder360 no YouTube.

Assista ao vídeo (2min5s):

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera a circulação atmosférica e o regime de chuvas e temperaturas em diferentes regiões do planeta. De acordo com Rodrigues, o episódio de 2026 a 2027 pode estar entre os mais intensos registrados desde 1950. 

No Brasil, o fenômeno costuma provocar redução das chuvas no Norte e no Nordeste e aumento das precipitações no Sul. No Sudeste e no Centro-Oeste, onde estão concentrados os maiores reservatórios hidrelétricos do país, os efeitos são mais incertos.

Segundo o especialista, a combinação de chuvas insuficientes e temperaturas elevadas pode comprometer o equilíbrio do sistema elétrico. Enquanto a menor disponibilidade de água reduz a geração hidrelétrica, o calor aumenta o consumo de eletricidade.

“Com menos água, as hidrelétricas geram menos. Com mais calor, a gente consome mais energia. Para fechar essa conta, é preciso acionar as térmicas, que são mais caras”, afirmou.

Em um cenário adverso, o preço da energia no mercado de curto prazo pode subir mais de 50% em 2027, segundo estimativas do CBIE Analytics. A projeção considera os riscos associados às condições climáticas e à necessidade de maior acionamento de usinas termelétricas.

O especialista afirma que a elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica brasileira não garante, por si só, a segurança do abastecimento. Isso porque a geração hidrelétrica depende da disponibilidade de água, enquanto as fontes solar e eólica estão sujeitas às condições naturais.

“Nossa matriz é muito renovável, e isso é ótimo. Mas renovável não quer dizer garantida”, declarou.

Rodrigues defende investimentos em potência firme, sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura de transmissão para assegurar o fornecimento contínuo de eletricidade, independentemente das condições meteorológicas.

Para o especialista, a possível intensificação do fenômeno reforça a importância de incorporar a segurança energética ao planejamento da expansão do setor elétrico brasileiro.

“O El Niño é mais do que um evento climático: é um teste para o nosso planejamento energético”, concluiu.

Leia os posts sobre os outros episódios do programa: