Assim como há o Dia do Perdão, um exame de consciência honesto, deveria existir auditoria da IA sobre erros com a tecnologia

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17.set.2026 às 22h00

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Y. David Weitman Rabino-chefe da Congregação Beit Yaacov, é autor e palestrante

Neste domingo (20), ao pôr do sol, inicia-se no calendário judaico o Yom Kipur, o Dia do Perdão, a data mais importante do ano. Chega após 40 dias de introspecção, arrependimento e reaproximação com o Todo-Poderoso.

Yom Kipur exige um esforço pessoal na correção dos próprios erros. Se alguém ofendeu outra pessoa, isso não se resolve apenas com orações; o judaísmo exige que o procure e peça desculpas.

A inteligência artificial está sendo cada vez mais utilizada e comentada. É uma megaferramenta que permeia praticamente todas as áreas —nenhuma escapa.

Assim como existe um Yom Kipur anual para um exame de consciência honesto, deveria existir uma auditoria da IA, uma avaliação sincera do que a tecnologia fez e onde ela errou. Porém, o arrependimento precisa de consciência moral, algo que o ser humano tem e uma máquina não tem.

Todavia, o judaísmo preza os avanços tecnológicos e valoriza a criação da IA. Diferentemente da antiga visão grega, o judaísmo acredita que o ser humano é sócio de Deus na criação deste mundo.

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O judaísmo nos ensina que o fogo (sinônimo de conhecimento) não pertence apenas a Deus. E a criatividade humana não precisa nascer de uma revolta contra Ele. Pelo contrário, a vontade divina é que o ser humano conheça, progrida e invente. O Criador criou um mundo incompleto, deixando para nós a tarefa de completá-lo.

A IA é um belo exemplo disso. Deus nos brindou com inteligência e nos permitiu acumular conhecimentos, colher dados, armazená-los e organizá-los, produzir um gigantesco acervo em linguagem clara e pronto para ser explorado a cada momento.

Porém, como toda tecnologia, a IA obviamente também tem suas imperfeições. É uma verdadeira faca de dois gumes: pode ser usada como bisturi ou como arma.

A IA não tem valores ou emoções. Portanto, não pode substituir um terapeuta, uma namorada ou um melhor amigo. Para reduzir os riscos de manipulação e falsificação, será indispensável uma regulamentação adequada, com acompanhamento ético.