Equipa internacional de investigadores está a desenvolver um sistema de inteligência artificial que permita detetar atempadamente os casos de glaucoma e dar um acompanhamento mais intenso.

Uma equipa de investigadores criou uma tecnologia baseada em Inteligência Artificial (IA) para detetar precocemente os doentes com glaucoma que correm maior risco de perda de visão no futuro, revelou esta quinta-feira a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

Para desenvolver esta tecnologia capaz de predizer o risco de progressão futura da doença a dois e cinco anos, os investigadores treinaram o modelo de IA com 161.827 imagens do nervo ótico de 13.913 doentes.

Os dados foram obtidos retrospetivamente num centro académico de Leuven, na Bélgica.

O modelo foi validado externamente em cinco grupos de doentes de outros centros mundiais, incluindo doentes da Finlândia e da China.

O estudo foi publicado em agosto na revista científica The Lancet Digital Health.

O glaucoma é uma doença silenciosa e progressiva do nervo ótico (estrutura que liga o olho ao cérebro e transporta as imagens que vemos).

O principal fator de risco é o aumento da pressão intraocular, que, se não for tratado, destrói as células responsáveis pela visão, levando à cegueira irreversível.

De acordo com a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, estima-se que o glaucoma afete cerca de 250 mil pessoas em Portugal.

Apesar de não ter cura, a doença pode ser controlada se for diagnosticada atempadamente em consulta de oftalmologia, permitindo travar a sua progressão e preservar a visão, descreve a sociedade no seu site oficial.