O Irã começou oficialmente neste sábado (4) as cerimônias fúnebres de seis dias do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro após ...

O Irã começou oficialmente neste sábado (4) as cerimônias fúnebres de seis dias do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro após ataques de Estados Unidos e Israel.

Milhares de pessoas se reuniram no pátio do Grande Mosalla, em Teerã, para receber o caixão do líder. A multidão carregava bandeiras vermelhas, que simbolizam pedidos de vingança, e gritava palavras de ordem contra os Estados Unidos.

O governo iraniano montou um forte esquema de segurança e bloqueou o trânsito na capital. Por causa das restrições de tráfego, muitos moradores precisaram caminhar vários quilômetros para chegar ao local do evento.

As autoridades do país estimam uma participação recorde de público nas homenagens. A expectativa do governo é que entre 15 e 20 milhões de pessoas compareçam às cerimônias de despedida ao longo dos próximos dias.

O corpo de Khamenei passará por várias cidades do Irã e do Iraque antes de ser enterrado. O cortejo passará pelas cidades sagradas iraquianas de Najaf e Karbala na quarta-feira (8), em um gesto para demonstrar influência regional.

O sepultamento do ex-líder supremo está marcado para quinta-feira (9) em Mashhad. Khamenei, que morreu aos 86 anos, será enterrado em sua cidade natal, no nordeste do Irã.

Familiares do aiatolá que também morreram nos ataques serão homenageados juntos. Os corpos dos parentes foram preservados congelados ao lado do corpo de Khamenei e farão parte das cerimônias.

Segundo o costume islâmico, o sepultamento deve ocorrer o mais rápido possível, idealmente dentro de 24 horas após a morte. Isso não foi possível no caso de Khamenei por questões de segurança, já que o Irã vinha enfrentando ataques militares contínuos dos EUA e de Israel.

O atraso também foi moldado por considerações logísticas. O Irã já testemunhou incidentes mortais relacionados a multidões durante grandes funerais de Estado, como o do ex-líder supremo Ruhollah Khomeini em 1989, quando incidentes de esmagamento de multidão interromperam os procedimentos de sepultamento.

Os oficiais passaram meses fazendo um plano rigorosamente controlado de segurança e movimentação. A expectativa é de que milhões participem do funeral de Khamenei.

Embora o enterro atrasado seja incomum no Islã, circunstâncias excepcionais podem permiti-lo. A jurisprudência religiosa xiita permite o adiamento do sepultamento quando a guerra ou graves ameaças de segurança tornam o enterro imediato inseguro ou impossível. Isso permitiu que as autoridades iranianas obtivessem a aprovação necessária para preservar o corpo até que as condições melhorassem.

Mojtaba Khamenei assumiu como novo líder supremo. Filho de Ali Khamenei, ele se tornou o terceiro líder supremo da República Islâmica, cargo criado após a Revolução Islâmica de 1979.

Ele não aparece em público desde o início da guerra. Segundo a agência de notícias Reuters, Mojtaba ficou gravemente ferido no ataque que matou o pai. A ausência pública dele ocorre em meio ao esforço do regime para demonstrar estabilidade após a morte de Khamenei.

O funeral será observado também como teste político para Mojtaba. O Telegraph afirma que a cerimônia pode ser uma oportunidade para o novo líder supremo consolidar sua autoridade. A publicação diz que a eventual presença dele nas orações fúnebres será acompanhada como sinal de quanto ele pretende se expor publicamente.

* com agências internacionais

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