Em entrevista exclusiva, CEO Maycon Pereira detalhou os planos do clube na elite do Brasileirão Feminino
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O Itabirito, as Gatas do Mato, fez história ao garantir o acesso à Série A1 do futebol feminino, mesmo após ser vice-campeão da Série A2 contra o Vasco. O CEO Maycon Pereira celebra o crescimento do projeto, que em 2027 se muda para Varginha com nova estrutura, incluindo categorias de base e um estádio para a elite.
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O Itabirito não conseguiu levar a taça da Série A2 para Minas Gerais, mas deixou São Januário com uma vitória que ajuda a dimensionar o crescimento do projeto. Diante de mais de 8 mil torcedores, as Gatas do Mato venceram o Vasco por 2 a 1 no jogo de volta da final e fizeram frente ao campeão até os últimos minutos. O 3 a 1 construído pelas cariocas na ida garantiu o título no placar agregado, mas o acesso à elite e a campanha até a decisão consolidaram justamente o futebol feminino como responsável por colocar o Itabirito na rota nacional do futebol brasileiro.
À frente da SAF, o CEO Maycon Pereira não esconde o envolvimento com a modalidade. Depois de cerca de dois anos de projeto, o dirigente diz estar “apaixonado” pelo trabalho com a modalidade e já projeta 2027. O próximo ciclo terá a disputa da Série A1, mudança das operações para Varginha, estrutura para receber grandes clubes do país e a implantação de pelo menos uma categoria feminina de base. “Sou suspeito porque estou apaixonado por trabalhar com esse grupo, com essas meninas. É muito satisfatório”, afirmou Maycon, em entrevista exclusiva à VEJA.
A atuação na decisão foi tratada internamente como mais uma demonstração do crescimento da equipe. Depois de perder por 3 a 1 em Minas Gerais, o Itabirito chegou a São Januário precisando reverter uma desvantagem de dois gols contra um Vasco que ainda não havia sido derrotado na competição.
Mesmo diante de uma das camisas mais tradicionais do futebol brasileiro e de um estádio tomado pela torcida adversária, o time mineiro não se intimidou. Venceu por 2 a 1 e manteve a decisão aberta até os momentos finais.
“Foi uma final contra uma camisa muito pesada, centenária. A gente tem vivido diversas batalhas, diversos confrontos, e temos conseguido ter um saldo muito positivo dos nossos resultados. O resultado na soma dos placares deu o título, merecido pela campanha, para o Vasco. Mas nós só temos que agradecer a esse grupo fantástico”, disse Maycon.
O CEO também valorizou a atmosfera encontrada em São Januário e o impacto de uma decisão nacional disputada diante de milhares de pessoas e acompanhada pelas transmissões. O Itabirito também levou torcida, com caravana a preço acessível saindo de Minas, com dois ônibus com 46 pessoas cada e um micro-ônibus. A única ausência foi a charanga, sempre presente nos jogos em casa, mas que tinha um evento e não pôde ir ao Rio de Janeiro.
“Todos que acompanharam essa partida viveram um belo momento, um belo espetáculo. Essa adesão que teve aqui hoje é muito louvável e valoriza o trabalho das duas equipes. Além daqueles que acompanharam pelas transmissões e que depois também replicam e aumentam exponencialmente a exibição de gala que nós assistimos”, disse ele.
Dentro de campo, a mei0-campista Bruna Victória também tratou a campanha como um marco. Aos 22 anos, ela soma 26 partidas e dez gols pelo Itabirito em 2026, sendo oito gols em 21 jogos da Série A2.
“Foi uma temporada incrível. Começamos bem o Brasileiro A2, conseguimos o acesso, que era o objetivo, e conseguimos mais um objetivo, que era chegar à final. Fizemos um grande jogo no segundo jogo da final”, disse a jogadora.
A jogadora destacou ainda a união construída pelo elenco e as oportunidades recebidas durante a temporada.
“É agradecer por tudo que venho conquistando, por toda a oportunidade de conseguir muitos minutos. Agradecer a toda a staff do Itabirito, comissão e atletas. A gente estava muito unida e isso veio ajudando muito”, completou.
A derrota no agregado encerrou a campanha na Série A2, mas não a temporada. Agora, o Itabirito volta suas atenções para o Campeonato Mineiro. “Agora é focar no Mineiro, porque a temporada ainda está na metade. Vamos em busca desse título do Mineiro”, finalizou.
Se o Itabirito passou a ser conhecido nacionalmente em 2026, essa projeção veio justamente das Gatas do Mato. Em uma trajetória de aproximadamente dois anos na modalidade, o clube chegou à final de uma competição nacional e garantiu presença na principal divisão do futebol feminino brasileiro em 2027.
Maycon atribui o bom resultado a um planejamento iniciado ainda em 2024, com investimentos e organização pensados para sustentar o crescimento do projeto.
“É tudo fruto de um bom planejamento que fizemos já lá em 2024, no qual nós projetamos a nossa caminhada para estar chegando até aqui, garantimos investimentos, mobilizamos e temos feito uma gestão que eu acredito que tem gerado resultados. Quando a gente fala gestão, não é só gestão de futebol. São pessoas, são recursos, são processos”, explica. No corpo técnico, o Itabirito conta com o experiente treinador Hoffmann Túlio e o gestor Breno Mendes.
O dirigente costuma resumir a construção do projeto em uma pergunta feita internamente. “Eu utilizo uma frase com o nosso grupo de trabalho: qual é o tamanho do Itabirito Futebol Clube? E respondo: ele é gigante, porque ele é formado por pessoas gigantes. A partir do momento em que as pessoas que vestem a nossa camisa e nos representam se apresentam com a sua melhor versão, sendo protagonistas, a soma dessas forças traz essa fortaleza que é o Itabirito Futebol Clube hoje”, diz Maycon.
Para ele, até mesmo o vice-campeonato precisa ser colocado em perspectiva diante do estágio atual do clube. “Embora a questão do vice-campeonato hoje no futebol brasileiro fique com aquela cara de quem não conquistou, nós conquistamos o vice-campeonato nacional. Temos um título, temos uma medalha desse grupo fantástico, maravilhoso. Essas meninas merecem demais, porque é um grupo que trabalha, trabalha, trabalha. Sou muito feliz e muito grato por poder estar liderando esse grupo”, completa.
O acesso à Série A1 coincidirá com uma transformação estrutural. O Itabirito anunciou a mudança de suas operações para Varginha, no Sul de Minas, onde passará a contar com estrutura de treinamento e um estádio para aproximadamente 15 mil pessoas. A ideia é ter uma casa preparada para diferentes níveis de competição, inclusive diante da possibilidade de receber algumas das maiores equipes do futebol feminino brasileiro na próxima temporada.




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