A inteligência artificial no Direito está impulsionando o surgimento de empresas especializadas em desafios específicos da atividade jurídica. É nesse cenário que nasce a Iter, empresa brasileira de tecnologia voltada ao contencioso tributário, fundada em ago…
A inteligência artificial no Direito está impulsionando o surgimento de empresas especializadas em desafios específicos da atividade jurídica. É nesse cenário que nasce a Iter, empresa brasileira de tecnologia voltada ao contencioso tributário, fundada em agosto de 2026 pelo advogado Lucas Barbosa Oliveira.
Com uma plataforma de inteligência artificial proprietária, a Iter foi criada para transformar a lógica de custo do acompanhamento processual. A tecnologia monitora diariamente carteiras de processos, identifica novas decisões, aponta medidas potencialmente cabíveis e prepara minutas jurídicas em poucas horas, atividades que, tradicionalmente, poderiam exigir dias de trabalho manual.
Iter é lançada em evento com Luiz Fux
A Iter foi lançada oficialmente no dia 20 de agosto, durante o BMS Leaders Table, em São Paulo. O evento contou com a presença do ministro Luiz Fux, que participou da programação com uma palestra sobre segurança jurídica, repercussão geral, modulação de efeitos e previsibilidade dos precedentes.
Na mesma noite, Lucas Barbosa Oliveira apresentou a empresa e sua proposta de aplicar inteligência artificial ao contencioso tributário, aliando automação, conhecimento jurídico especializado e supervisão humana.
Quem é Lucas Barbosa Oliveira, fundador da Iter
A criação da Iter está diretamente ligada à trajetória profissional de Lucas Barbosa Oliveira. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), o advogado passou 13 anos atuando no contencioso e no consultivo tributário do Pinheiro Neto Advogados.
A experiência no acompanhamento de processos, decisões, precedentes e estratégias tributárias serviu como ponto de partida para um projeto desenvolvido ao longo de dois anos: automatizar, com inteligência artificial, etapas do fluxo de trabalho jurídico que Lucas conheceu por dentro.
O fundador da Iter é LL.M. em Direito Tributário pelo Insper, mestrando em Direito Financeiro pela USP e autor do livro Opções de Compra de Ações (Dialética, 2022). Como fundador e CEO, conduz o desenvolvimento da plataforma, inicialmente direcionada ao contencioso tributário relacionado à folha de pagamentos e às contribuições previdenciárias.
"É uma empresa de tecnologia, não é um escritório de advocacia", afirma Lucas.
Inteligência artificial transforma decisões em minutas jurídicas
O modelo da Iter parte de um desafio comum a escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e grandes empresas: acompanhar uma extensa carteira de processos exige uma estrutura proporcional ao volume de casos, movimentações e decisões que precisam ser analisados.
A empresa busca modificar essa relação entre escala e custo por meio da automação do acompanhamento processual. Na prática, a plataforma monitora diariamente os processos cadastrados. Quando identifica uma nova decisão, o documento é processado por agentes de inteligência artificial.
A tecnologia analisa o conteúdo da decisão, classifica a matéria discutida, identifica uma medida potencialmente cabível e estrutura uma minuta para avaliação do profissional responsável. O objetivo é permitir que o trabalho inicial de acompanhamento e preparação da resposta aconteça em horas, em vez de depender de dias de processamento manual.
Base de conhecimento reúne decisões do STF, STJ e CARF
Por trás da operação da Iter está uma base de conhecimento jurídico exclusiva e em constante aprimoramento. O conteúdo é construído a partir de decisões, acórdãos e sustentações orais do Supremo Tribunal Federal (STF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).
Esse acervo alimenta matrizes específicas relacionadas às teses jurídicas acompanhadas pela plataforma, permitindo que novas decisões sejam relacionadas ao histórico disponível e aos diferentes cenários de julgamento.
A inteligência artificial da Iter não recebe apenas a tarefa de gerar textos. A tecnologia integra um fluxo que começa no monitoramento da carteira, passa pela leitura das movimentações processuais e pelo cruzamento das informações com a base de conhecimento e chega à preparação da medida jurídica para análise do advogado.
Tecnologia jurídica proprietária oferece rastreabilidade
A Iter também aposta na rastreabilidade da inteligência artificial como mecanismo de controle e segurança. O sistema preserva o percurso das informações utilizadas para chegar ao resultado apresentado, permitindo que o profissional confira as fontes e confronte as afirmações com os documentos de origem.




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