Para Toshimitsu Motegi, cenário global impulsiona a necessidade de fortalecer a resiliência de cadeias produtivas
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15.set.2026 às 23h00
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O chanceler do Japão, Toshimitsu Motegi, afirma que o país leva "muito a sério" as preocupações dos setores produtivos do Japão, em especial a agricultura e a pecuária, em relação ao início das negociações entre o país asiático e o Mercosul.
"Eu pude ouvir diretamente as opiniões das organizações relacionadas a esses segmentos e estou plenamente ciente das sensibilidades do lado japonês", diz em entrevista à Folha por email.
Iniciadas em junho, as tratativas visam estabelecer um Acordo de Parceria Econômica (EPA, na sigla em inglês) que visa expandir o acesso a diferentes mercados, entre eles o agropecuário, e deve diminuir as alíquotas de importação.
O Brasil ainda segue tentando a abertura do mercado japonês para a carne bovina em um processo que avança lentamente e está em fase de liberação sanitária.
O setor pecuário brasileiro vive ainda os efeitos da salvaguarda chinesa para carne bovina, que estabeleceu uma cota anual de importação da commodity e afetou especialmente o Brasil, principal exportador de carne bovina para a China.
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O início das negociações entre Japão e Mercosul também ocorreu quatro meses após o fechamento do Estreito de Ormuz, que forçou países a buscar alternativas para o fornecimento de diversos itens, em especial o petróleo.
A commodity foi um dos temas da pauta do chanceler brasileiro Mauro Vieira em sua visita a Tóquio, acompanhado de um executivo da Petrobras. Sobre o tema, Motegi afirma que a aquisição será tratada pelas empresas diretamente, mas que o desejo é de fortalecer a cooperação no setor energético.
Em junho, quatro meses após o bloqueio do Estreito de Ormuz, o Japão e o Mercosul anunciaram o lançamento oficial das negociações para um Acordo de Parceria Econômica. Como a guerra envolvendo o Irã influenciou essa decisão? No âmbito do "Marco da Parceria Estratégica entre o Japão e o Mercosul", lançado em dezembro do ano passado, realizamos reuniões em janeiro e março e avançamos nas discussões para aprofundar as relações comerciais. Durante o "Diálogo Estratégico" com o ministro Vieira, saudamos esses avanços e discutimos as relações com o Mercosul como um dos principais temas. Posteriormente, durante a reunião de cúpula entre Japão e Brasil, em junho, a Primeira-Ministra Takaichi e o Presidente Lula anunciaram o início das negociações de um EPA entre o Japão e o bloco sul-americano.
Em um cenário internacional de grandes transformações, diversificar as fontes e os destinos de fornecimento de recursos energéticos e minerais, bem como fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos, tornou-se uma questão urgente. Aprofundar ainda mais as relações econômicas entre o Japão e o Mercosul tem grande importância estratégica. O Mercosul possui recursos abundantes, como minerais críticos e recursos energéticos, além de uma ampla oferta de grãos para ração animal, o que faz do bloco um parceiro econômico de grande potencial. Portanto, as negociações de um EPA com o Mercosul são também importantes do ponto de vista da segurança econômica do Japão.
O acordo em negociação é abrangente, mas há produtos de especial interesse para o Japão. Quais seriam? Com uma população de aproximadamente 300 milhões de pessoas e um PIB [Produto Interno Bruto] de cerca de US$ 3 trilhões, o Mercosul é um atraente mercado em crescimento. Diante disso, as empresas japonesas demonstram grande interesse na expansão do mercado de produtos industriais, incluindo automóveis. Da mesma forma, uma ampliação do acesso dos produtos agrícolas, florestais, pesqueiros e alimentícios japoneses ao mercado dos países membros do Mercosul representaria uma grande oportunidade para aumentar as exportações de produtos de alta qualidade dos quais o Japão se orgulha.
Ao mesmo tempo, nosso governo leva muito a sério as fortes preocupações manifestadas pelos setores produtivos do Japão, especialmente na agricultura e na pecuária. Eu pude ouvir diretamente as opiniões das organizações relacionadas a esses segmentos e estou plenamente ciente das sensibilidades do lado japonês.
Durante visita a Tóquio, o chanceler Mauro Vieira afirmou que o Brasil estava disposto a discutir a venda de petróleo bruto ao Japão. Existe uma negociação em andamento? No "Diálogo Estratégico de Chanceleres" que tivemos em maio, o ministro Vieira manifestou a disposição do Brasil em manter discussões construtivas sobre a compra de petróleo bruto brasileiro pelo Japão. Além disso, os dois países estão avançando na cooperação em diversas áreas. Concordamos, por exemplo, em dar continuidade às consultas para promover a cooperação e a coordenação bilateral no mercado de carbono, como parte dos esforços para garantir não apenas o fornecimento estável de energia, mas também promover, simultaneamente, o crescimento econômico e a descarbonização.




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