Ao completar uma década de presença no mercado brasileiro em 2026, o Jeep Compass segue como um dos destaques do segmento de SUVs médios, cada vez mais competitivo com a entrada de novas marcas no Brasil. Uma das novidades para fazer frente à concorrên

Do UOL, em São Paulo

Ao completar uma década de presença no mercado brasileiro em 2026, o Jeep Compass segue como um dos destaques do segmento de SUVs médios, cada vez mais competitivo com a entrada de novas marcas no Brasil. Uma das novidades para fazer frente à concorrência é a atualização da versão topo de linha Blackhawk, que passa a ter motorização flex.

É uma estratégia para nacionalizar ainda mais a proposta e tentar fisgar o consumidor que exige versatilidade no posto de combustível. No entanto, o preço de tabela é salgado: supera os R$ 278 mil, embora promoções na rede de concessionárias consigam reduzir o valor para a faixa dos R$ 250 mil.

A versão Blackhawk chega como uma aposta da marca para suprir a ausência da opção a diesel, que dá adeus nessa atualização em troca de uma configuração que prioriza o desempenho em asfalto e entregar acelerações de esportivo em um corpo de utilitário esportivo. Será suficiente para agradar um público cada vez mais exigente? Confira abaixo as nossas impressões:

Design: esteticamente, o Compass Blackhawk aposta em um apelo visual esportivo e sóbrio. A dianteira mantém a identidade da marca com a grade de sete fendas, adornada por acabamentos em cromo escurecido e detalhes em preto brilhante. Os faróis são em LED e as luzes de direção mantêm lâmpadas halógenas.

Nas laterais, as mudanças mais evidentes que identificam a versão são as rodas exclusivas de liga leve de 19 polegadas, com pneus 235/45 e que deixam à mostra as pinças de freio pintadas na cor vermelha. A pintura bicolor com teto preto é item de série e não gera custo adicional, assim como a cor branca do modelo testado.

Na traseira, o visual conta com logotipo escurecido com o emblema Black Hawk, a inscrição 4x4 e a dupla saída de escapamento cromada. O porta-malas, que possui abertura elétrica de série, conta com declarados 474 litros, mas no padrão VDA a capacidade cai para 410 litros - um volume apenas razoável para a proposta familiar.

Vida a bordo: a cabine recepciona o motorista com bancos revestidos em material sintético e suede, trazendo o emblema Black Hawk bordado nos encostos e ajustes elétricos tanto para o condutor quanto para o passageiro.

O painel de instrumentos e das portas dianteiras possuem revestimento macio ao toque, mantendo o padrão de acabamento herdado do irmão maior Commander. No entanto, as portas traseiras pecam ao utilizar plástico rígido na parte superior, algo questionável para um veículo dessa faixa de preço.

O espaço interno acomoda bem adultos de estatura mediana, mas passageiros mais altos notarão a limitação do espaço para a cabeça no banco traseiro, influenciado em parte pelo teto solar panorâmico com abertura elétrica de série. Na segunda fileira, há saídas de ar-condicionado dedicadas e portas USB dos tipos A e C. O apoio de braço central traseiro conta com porta-copos integrado, garantindo um nível de conforto aceitável para viagens.

A ergonomia na posição de dirigir é um dos pontos fortes do modelo, graças à ampla regulagem de altura e profundidade da coluna de direção e ao volante revestido em couro macio com aletas para trocas manuais de marcha.

O console central elevado abriga o freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold, o seletor de modos de condução (Auto, Snow, Sand/Mud) e os botões de acionamento do bloqueio do diferencial central (4WD Lock) e da reduzida eletrônica (4WD Low).

No quesito tecnologia, a central multimídia flutuante oferece boa conectividade e tela tátil de alta resolução, com conexão smartphones via Apple CarPlay e Android Auto sem fio, mantendo o usuário conectado sem a necessidade de cabos espalhados pelo console. Ela é complementada pelo painel de instrumentos 100% digital com telas de visualização configuráveis e gráficos esportivos, além do sistema de som premium que leva a assinatura Beats e entrega boa fidelidade sonora.

Equipamentos: a lista é recheada e prioriza a segurança ativa e a comodidade. O pacote de assistências ao condutor (ADAS) traz piloto automático adaptativo (ACC), frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência e centralização em faixa, leitor de placas de trânsito, alerta de ponto cego, alerta de tráfego cruzado traseiro e detector de fadiga do motorista.

O modelo oferece ainda o assistente de estacionamento semiautônomo (Park Assist), que realiza manobras vagas paralelas e perpendiculares de forma automática.

No campo da conveniência, a versão traz ar-condicionado digital de duas zonas com comandos físicos dedicados, carregador de celular por indução no console central, retrovisor interno eletrocrômico e acendimento automático dos faróis com regulagem de altura do facho. Os sensores de estacionamento dianteiros e traseiros auxiliam nas manobras do dia a dia, amenizando a ausência das câmeras em 360 graus.

O teto solar elétrico panorâmico atende tanto aos ocupantes da frente quanto aos do banco traseiro, contando com cortina de acionamento elétrico. Há também iluminação de cortesia nos retrovisores externos para projetar luz no solo ao destravar o veículo.

Desempenho: sob o capô está o grande destaque do carro, o motor 2.0 Turbo Hurricane 4-cilindros, que recebeu modificações para passar a ser flex. A potência permanece em 272 cv e o torque em 40,8 kgfm, independentemente de estar abastecido com gasolina ou etanol. O câmbio é automático de nove marchas, acoplado ao sistema de tração integral sob demanda (4WD).

O acerto dinâmico da suspensão merece elogios à parte, absorvendo impactos de valetas e lombadas com surpreendente suavidade, sem repassar batidas secas para a cabine ou perder a estabilidade em velocidades mais elevadas.

A contrapartida de tanta performance cobra seu preço no consumo de combustível. De acordo com o Inmetro, as médias são as modestas 8,5 km/l com gasolina e 6,0 km/l com etanol no ciclo urbando, enquanto na estrada atinge 11 km/l (gasolina) e 7,6 km/l (etanol). É a clara troca entre a emoção ao acelerar e a frequência de visitas ao posto de gasolina.