João Luís viaja de moto há mais de 20 anos. Portugal-Índia e uma viagem até Angola, descendo pela costa leste de África, depois de passar pelo Médio Oriente fazem parte do seu currículo.

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Sejam bem-vindos. Esta semana vamos viajar de moto. O viajante desta semana já realizou muitas viagens em duas rodas. Vamos explorar algumas delas ao longo da próxima hora e vamos não tentar cair. João Luís, bem-vindo.

É uma coisa que atormenta os motociclistas, as quedas, ou não?

Também, claro. Às vezes acontece.

Pela queda em si, depois ter que levantar a moto.

É mais difícil. Depende.

Vê-se mesmo que não sou motociclista.

É muito bom quando conseguimos levantar a moto, é bom sinal. Às vezes já não dá para levantar a moto, aí é que é mal.

Tu és muito dado a quedas ou não? Olhem por isso.

Tenho a minha parte. Andar de moto é uma arte, cair faz parte.

Olha, até rima. Muito bem. Quando é que começou esta tua paixão pelas motas, João?

Antes de mais, é uma paixão, não é?

É. Uma paixão. É um modo de vida, já. Uma paixão que se transforma em um modo de vida. Eu ando de moto, comecei de motorizada há 14, 15 anos. Quando tirei a carta, comprei logo moto, antes de ter carro. Primeiro, tirei a carta de moto aos 18 anos, e até hoje. De vez em quando, tenho umas quedas graves, que fico impossibilitado de andar de moto, é a única paragem que tenho. De resto, vou andando de moto.

Muito bem. Qual foi a tua primeira grande viagem de moto?

Grande viagem, eu costumo dizer, às vezes aquelas pequenas viagens primeiras que se fazem em Portugal, vamos saindo daqui, dali, são viagens fantásticas. Eu quando tinha 15 anos, fazia 100 e tal quilômetros de Alcobaça à Castanheira de Pera, ter com uns amigos à losã, de motorizada, e levava os sacos e aquilo tudo. Sempre fui um apaixonado pela leitura das revistas, ainda hoje eu compro o papel. Sonhávamos, eu morava em Alcobaça, ia muito pra Nazaré, víamos os estrangeiros com aqueles elásticos nas motas, os sacos tudo preso, isso faz um homem sonhar. Então comprei a motorizada, já ia viajar com os sacos amarrados na moto e por ia fora.

Ainda que fossem só 100 quilômetros.

Era o que fosse e vinha a Lisboa, de Alcobaça a Sacavém. Tinha uma namorada naquela altura em Sacavém, miúdos da escola, e vinha ter com ela de moto, ia buscá-la. Ia buscá-la, não, ia ter com ela à porta da escola secundária. Portanto, era o que todos nós fazíamos.

Na tua cabeça era uma epopeia.

Sonhava. Lia muito as revistas, não tão bem as portuguesas, mas tinha e tenho familiares meus, mais velhos que eu, que compravam revistas de França, a Moto Jornal Francesa, esse tipo de revistas. Nós líamos aquilo ainda a preto e branco, a Moto Show brasileira. E isso vai criando, vamos sonhando, vamos fazendo as coisas. E vamos realizando sonhos.

Sim. Hoje realizas grandes viagens, já foste várias vezes ao Médio Oriente, já fizeste a costa austral-africana, subindo depois pela África do Sul até Angola. Já foste várias vezes ao Mali e ao Senegal, também de moto. É como eu ir até o fundo da rua beber um café, quase.