Evento esgota ingressos depois de edição com público menor
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Uma semana depois de Ribeirão Preto viver um dos maiores temporais de sua história recente —que deixou uma pessoa morta, centenas de árvores derrubadas e levou a prefeitura a decretar estado de emergência—, o Parque Permanente de Exposições reuniu milhares de pessoas. Com tempo firme e sol forte, o João Rock recebeu cerca de 65 mil espectadores neste sábado (1º), em uma edição com ingressos esgotados.
O resultado representa uma recuperação em relação ao ano passado, quando o festival não conseguiu vender toda sua capacidade. Depois de uma edição marcada pelo público reduzido, o João Rock voltou a lotar, reafirmando sua posição como um dos principais festivais dedicados à música nacional.
Distribuído entre os palcos João Rock, Brasil, Aquarela, Fortalecendo a Cena e Eisen Rock Station, o evento reuniu mais de 30 atrações de diferentes gêneros. Ainda assim, a edição deste ano apresentou um retrocesso na presença feminina.
Apenas seis artistas eram mulheres, contra dez no ano anterior. No maior palco, o João Rock, não houve nenhuma apresentação feminina. As artistas permaneceram concentradas quase integralmente no Aquarela, espaço dedicado às mulheres.
Quem abriu o palco principal foi Chico Chico, seguido por Lagum e Detonautas, banda que aproveitou o festival para iniciar a turnê do álbum "Rádio Love Nacional". Entre sucessos como "Você Me Faz Tão Bem", "Só por Hoje" e "Outro Lugar", o vocalista Tico Santa Cruz fez um discurso sobre espiritualidade e criticou o excesso de tempo gasto nas redes sociais.
"Se Deus não estiver em você, ele não vai estar na igreja, no pastor, no padre, em nenhum líder religioso", afirmou o cantor antes de pedir que o público se abraçasse. Antes, disse ter percebido que estava "se intoxicando" com o excesso de telas e que passou a priorizar o convívio com as pessoas próximas.
O momento mais contemplativo veio com Zé Ramalho. Aos 77, celebrando cinco décadas de carreira, o paraibano mostrou que poucos recursos bastam quando o repertório atravessa gerações. Com formação enxuta —violão, saxofone, teclado, bateria e contrabaixo—, apresentou clássicos como "Beira-Mar", "Táxi Lunar", "Avôhai", "Vida de Gado" e encerrou com "Sinônimos", mais conhecida na voz de Chitãozinho & Xororó.
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Na sequência, Alceu Valença reafirmou o espaço de encontro entre o rock e a música nordestina. Abriu com "Que Grilo Dá", passou por "Pagode Russo", "Estação da Luz", "Girassol", "Flor de Tangerina", "Pisa na Fulô" e "Belle de Jour", mostrando como guitarras, sanfona e flauta podem coexistir no mesmo espetáculo.
Ao interpretar "Táxi Lunar", homenageou Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, antigos parceiros de "O Grande Encontro".
No palco Brasil, a Nação Zumbi, com duas alfaias, guitarra, baixo, bateria e percussão, apresentou um repertório centrado na obra de Chico Science, incluindo "Computadores Fazem Arte", "Um Sonho", "Cidadão do Mundo", "A Praieira" e "Maracatu Atômico".
Houve poucas interações com o público, mas Jorge Du Peixe arrancou aplausos ao apontar para bandeiras de Pernambuco na plateia e afirmar que os pernambucanos são "muito bairristas". Ao longo da apresentação, gritos de "Viva Chico" surgiam espontaneamente entre o público.
Já o palco Aquarela teve Marina Sena, protagonizando um dos shows mais concorridos ao apresentar músicas do álbum "Coisas Naturais", lançado no ano passado. Vestindo figurino metálico coberto por pedrarias, a cantora sustentou a apresentação com o magnetismo que marca sua nova fase artística.




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