Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.

Jornais e podcasts têm atraído mais interesse de executivos como fontes de informação, nos últimos cinco anos, mostra a segunda edição da pesquisa “Hábitos de consumo de informação do C-Level no Brasil”, feita pela agência InPress Porter Novelli e pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). Entre as publicações favoritas, o Valor recebeu o maior número de citações como jornal, como veículo mais relevante para os setores dos executivos entrevistados e como principal fonte de notícias de economia e negócios. Ficaram também no topo de suas categorias a CBN (em rádios de notícias), a Globonews (em telejornais) e colunistas de O Globo (jornalistas mais influentes).

A pesquisa, feita entre abril e julnho deste ano, é baseada em entrevistas com 107 executivos em cargos de direção, vice-presidência e presidência, em 13 setores da economia, sendo 90% de empresas de grande porte. A maioria dos entrevistados passa, em média, duas horas consumindo informações diariamente. A maior parte do tempo (73 minutos) é dedicada ao noticiário geral. Nas diversas categorias, os entrevistados foram instados a apontar dois ou três veículos, por isso as somas não dão 100%.

“Enquanto as redes sociais vão trazendo ‘flashes’ do noticiário na jornada de informação do ‘C-level’, funcionando como um monitoramento de notícias, a mídia tradicional chancela a credibilidade daquela informação”, disse a vice-presidente de atendimento da InPress Porter Novelli, Lúcia Calasso, ao Valor. O mesmo raciocínio se aplica à inteligência artificial (IA). Entre 90% dos entrevistados que trabalham com IA, 28% usam a ferramenta para se informar, “mas vão atrás da fonte com reputação e credibilidade para ter certeza do que viram quando o tema é notícia.”

Entre os entrevistados, 84% disseram ter um jornal impresso favorito, ante 47% em 2021. Entre os 16 veículos citados, o Valor lidera a lista com 63% da preferência dos respondentes, quase o dobro em relação à sondagem feita em 2021 (32%). Na sequência estão os jornais Estadão (38%), Folha de S. Paulo (19%) e O Globo, com 14% das preferências, apresentando um avanço de 12 pontos em cinco anos. Quando é feito o recorte setorial, em 12 dos 13 segmentos o Valor é o jornal impresso mais citado.

“Percebemos que há uma busca por blindar a sua tomada de decisão, em relação ao que o algoritmo [das plataformas digitais] apresenta”, observa Calasso. “O Valor aparece em destaque, em relação aos outros veículos, porque o C-level usa a informação para tomar decisões de negócios. Neste momento, se pergunta: em qual veículo eu mais confio?.”

Quando perguntados sobre os três veículos mais relevantes para seus setores, metade dos C-Levels citou o Valor pelo menos uma vez. Para se informar especificamente sobre economia e negócios, o Valor foi apontado por 75%, seguido de Brazil Journal (12%) e Exame (9%). Em todos os 13 segmentos, o Valor foi o primeiro citado em economia e negócios.

A executiva da InPress nota que a profundidade é um diferencial para os entrevistados. “Em setores regulados como agronegócios e energia, por exemplo, os executivos sabem que ali vão conseguir compreender todos os detalhes de um projeto de lei, que pode impactar os negócios.”

Viés ideológico em veículos de comunicação também é um ponto abordado pelo levantamento. O Valor é destaque entre os veículos percebidos como politicamente neutros, com 17% das citações. CNN tem 21%. Na sequência estão Estadão, TV Globo, Band e O Globo.

A mídia tradicional chancela a credibilidade da informação” — Lúcia Calasso Entre os executivos que buscam se informar em redes sociais, 82% buscam o LinkedIn e 70% usam o Instagram, que ganhou 27 pontos ante 2021. Os perfis de redes sociais mais citados para informações em geral são os da CNN (13%) e do Valor (11%).

No consumo de notícias pela TV, na categoria telejornais 45% dos pesquisados citam a Globonews, seguida pela CNN (38%) e pelo Jornal Nacional (22%).

As respostas espontâneas dos entrevistados trazem canais e programas jornalísticos em uma mesma categoria, o que também ocorre com veículos jornalísticos e redes sociais no estudo. “A forma como os próprios executivos colocaram suas respostas espontâneas já mostra a fluidez dos meios de informação atualmente em diferentes formatos”, afirma o diretor-executivo do Ibpad, Max Stabile.

Dos sites e portais de notícias favoritos, o UOL tem 30% das citações, seguido pelo Valor, com 20% das menções. Na sequência, o g1 tem 19% e Globo, 17%.

Os executivos mencionaram 93 podcasts diferentes em suas preferências. No topo da lista dos favoritos estão “O Assunto”, do g1, comandado pela jornalista Natuza Nery, apresentadora da Globonews; e “Café da Manhã”, da Folha de S. Paulo, ambos com 10% de participação. Em seguida, também empatados, estão os podcasts da rádio CBN e da Market Makers, com 7% das menções cada um.

A CBN manteve a liderança entre as rádios de notícias favoritas dos executivos, com mais da metade (54%) das citações dos entrevistados, ante 52% em 2021. Na sequência estão a Rádio Bandeirantes (25%) e a Jovem Pan (23%). No segmento de revistas, as mais cotadas foram Exame (27%), Piauí (15%) e Veja (13%), seguida pela The Economist (10%).

O estudo também mapeia a visão dos executivos sobre os jornalistas/colunistas mais influentes da imprensa nacional. A lista é liderada pelos colunistas do jornal O Globo Lauro Jardim (também da CBN) e Malu Gaspar (também de CBN e Globonews), com 15% e 14% das citações, respectivamente. Em seguida vêm William Waak, com 13%, Míriam Leitão (de O Globo, Globo, Globonews e CBN), com 12%, e Natuza Nery (7%).

Os influenciadores mais seguidos são Nizan Guanaes (colunista do Valor) e Luana Zucoloto, ambos com 3%.

Entre as ferramentas de IA mais citadas pelos pesquisados como fontes de notícias estão ChatGPT, da OpenAI (20%), Gemini, do Google (9%), e Claude, da Anthropic (5%).