A juíza distrital dos EUA Leonie Brinkema, de Alexandria, Virgínia, também determinou que a empresa deve nomear um monitor interno de conformidade antitruste
A juíza distrital dos EUA Leonie Brinkema, de Alexandria, Virgínia, apresentou sua avaliação em uma decisão de 106 páginas tornada pública nesta quarta-feira (16), duas semanas após rejeitar a exigência do Departamento de Justiça (DoJ) dos Estados Unidos de que o Google separasse seu negócio de veiculação de anúncios na internet.
As medidas corretivas “serão suficientes para abrir efetivamente à concorrência os mercados de tecnologia de anúncios prejudicados pela conduta ilícita do Google e impedir que a empresa retorne às práticas anticompetitivas nesses mercados”, escreveu Brinkema.
O Departamento de Justiça não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
A decisão poupou o Google da obrigação de desmembrar mais uma parte de seu império na internet, num momento em que a empresa, sediada em Mountain View, Califórnia, acelera sua expansão em inteligência artificial para competir com rivais como Anthropic e OpenAI.
Em setembro do ano passado, outro juiz determinou que o Google abrisse mais espaço para a concorrência em buscas on-line, mas recusou-se a exigir a venda do navegador Chrome, amplamente utilizado.
O valor de mercado da Alphabet supera US$ 4,1 trilhões.
O governo queria que o Google vendesse a AdX, plataforma na qual os editores pagam uma taxa de 20% para vender anúncios em leilões realizados instantaneamente quando usuários carregam páginas da internet, argumentando que a empresa não poderia ser considerada confiável para operar esse sistema.
Brinkema rejeitou essa medida, afirmando que o acesso aos lances em tempo real da AdX por meio de outros servidores de anúncios para editores de sites restauraria uma concorrência “muito necessária”.
Mas a juíza aceitou propostas para impedir que o Google exigisse que sites que utilizam seu servidor de anúncios também utilizem a AdX.
O Google também terá de encerrar práticas que, segundo editores, os mantinham presos às ferramentas de tecnologia publicitária da companhia.
Brinkema afirmou ainda que a nomeação de um monitor é necessária diante da “gravidade” das violações antitruste cometidas pelo Google, embora esse monitor tenha menos poderes de supervisão do que os defendidos pelo governo.
As mudanças deverão permanecer em vigor por seis anos, e não pelos 15 anos solicitados pelo Departamento de Justiça e por diversos Estados que também processaram a empresa.
Após divulgar sua decisão principal, Brinkema concedeu às duas partes 14 dias para solicitar a supressão de informações confidenciais de sua decisão escrita e 30 dias para apresentar uma proposta de sentença final refletindo as medidas corretivas que ela pretende impor.




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