O único jurado que se opôs à absolvição de Lindsay Clancy afirmou ter visto "muitas provas" de que a mãe norte-americana agiu de forma "metódica" ao mata...

O único jurado que se opôs à absolvição de Lindsay Clancy, a mãe norte-americana acusada de matar os três filhos menores nos Estados Unidos, afirmou que pensou em "muitas provas" quando se posicionou contra os restantes 11 jurados e defendeu que a mulher agiu de forma "metódica" na "execução" das crianças. 

"Tinha muitas provas para sustentar a minha posição", afirmou Michael Péguy Desronvil na sua primeira entrevista após o julgamento, transmitida pela Fox News, na quarta-feira. "Mas, por respeito aos outros jurados e ao sistema judicial, vou deixar o assunto de lado por enquanto, até que o processo avance".

Lindsay Clancy, sublinhe-se, estava a ser julgada pela morte da filha Cora, de cinco anos, do filho Dawson, de três anos, e do bebé Callan, de oito meses. Dos 12 jurados, apenas Desronvil considerou que deveria ser criminalmente responsabilizada, enquanto os restantes defendiam que fosse considerada inimputável. 

Desronvil explicou que também tem uma filha de cinco e, "por isso, ver estas três crianças é emocionalmente muito difícil".

"Consegue-se ver a sua inocência, a alegria genuína que tinham. É difícil aceitar que tudo isso lhes tenha sido retirado", lamentou.

EXCLUSIVE: "I had a lot of evidence to back up my claim." For the first time, the lone holdout juror in the Lindsay Clancy trial, Michael Desronvil, is speaking out about the tense deliberations in the high profile case, revealing to @kayleighmcenany that he had no reasonable doubt about his position. After 38 hours of deliberations, Desronvil found himself at odds with 11 other jurors who believed Clancy was not guilty by reason of insanity. Now, in an exclusive interview, he opens up about the tension inside the jury room and why he's keeping some of his evidence to himself. Kayleigh's full interview airs tomorrow on @foxandfriends at 8am ET. | @SatAmericaFNC

O homem explicou também que a chamada de Patrick Clancy, então marido de Lindsay, para os serviços de emergência o tinha "marcado profundamente". O conteúdo da chamada foi divulgado à imprensa, mas a reprodução foi feita apenas durante o julgamento.

"Ouvir a dor na voz dele, ouvir o desespero naquele excerto… Foi uma experiência surreal", declarou. 

O crime ocorreu em 24 de janeiro de 2023, em Duxbury, Massachusetts, quando Lindsay Clancy, então com 32 anos, aproveitou o momento em que o marido, Patrick Clancy, saiu de casa a seu pedido para ir buscar jantar e medicação para a filha mais velha.

Durante os cerca de 55 minutos em que o marido esteve fora, Lindsay estrangulou os três filhos na cave da habitação. Depois, cortou os pulsos e o pescoço e saltou do segundo andar numa tentativa de colocar termo à própria vida. 

Os dois filhos mais velhos morreram no próprio dia, enquanto o mais novo acabou por morrer dias depois no hospital. Já Lindsay sobreviveu à queda, mas sofreu lesões graves na coluna que a deixaram paraplégica.

A mulher começou a ser julgada em agosto e a acusação pretendia que fosse criminalmente acusada e condenada a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, sustentando que se tratou de um "crime deliberado e planeado". 

Os procuradores acusavam a mulher de ter calculado o tempo necessário para o marido sair de casa e ter pesquisado, nas semanas e dias anteriores, sobre "métodos de suicídio", "sintomas de psicose" e "tratamento para sociopatas". Além disso, defendem que o salto da janela foi uma tentativa de encenar um suicídio para escapar à responsabilidade.

A defesa, por sua vez, argumentou que Lindsay Clancy não pode ser considerada criminalmente responsável devido a uma grave patologia mental. 

O seu advogado, Kevin Reddington, alega que a mulher sofria de psicose pós-parto e perturbação bipolar não diagnosticada.

No início de setembro, a justiça norte-americana anulou o julgamento, depois de os jurados não terem chegado a um acordo sobre o veredicto.

"Declararei o júri bloqueado e declararei anulado o julgamento", disse o juiz William Sullivan, num caso que desencadeou um intenso debate sobre a saúde mental das mães, nomeadamente em relação ao pós-parto, nos Estados Unidos.

Para chegar a um veredicto, era necessária a unanimidade dos 12 jurados, mas o júri estava aparentemente dividido entre 11 jurados a favor da absolvição com base na falta de responsabilidade criminal de Lindsay Clancy e um contra este veredicto, segundo o estado das deliberações que foram conhecidas através das trocas entre o juiz, a defesa e a acusação.

A conclusão de um "júri bloqueado" ocorre quando o juiz tem de tomar nota de que, após vários dias de deliberações, os jurados não conseguem chegar a um acordo. Neste caso, o julgamento é cancelado e pode ser realizado mais tarde, com um novo júri.

Já no início deste mês, um juiz do Tribunal Superior de Plymouth rejeitou o pedido de absolvição apresentado pelo advogado de defesa de Lindsay Clancy, argumentando as provas "foram suficientes para convencer qualquer jurado racional [...] da responsabilidade criminal da arguida".