Os juros da dívida pública francesa a dez anos ultrapassaram hoje a barreira de 5%, atingindo o máximo desde 2002, em meio a preocupações com o estado das ...

Os juros da dívida pública francesa a dez anos superaram hoje a barreira simbólica de 5% e subiram para um máximo desde 2002, num contexto de persistente preocupação com o estado das finanças públicas do país.

Cerca das 10:00 em Lisboa, os juros de França a dez anos subiram para 5,08%, mas hora e meia mais tarde desceram para 4,992%, depois de terem terminado em 4,929% na terça-feira.

A França enfrenta custos de financiamento muito superiores aos da Alemanha, considerada a referência de maior segurança creditícia da zona euro.

O rendimento do título alemão a dez anos situava-se em 3,41% às 11:30 em Lisboa.

O prémio de risco de França, o diferencial dos juros a 10 anos em relação aos da Alemanha, continuava hoje a subir para cerca de 157 pontos base, em máximos dos últimos 15 anos e acima dos de Itália 115,7 pontos base), Grécia (98 pontos base), Espanha (65 pontos base) e Portugal (50,7 pontos base).

A crise em França depois dos distúrbios do fim de semana, que levou à aplicação de recolher obrigatório na noite passada em determinadas zonas de Paris e de outras cidades, juntamente com a instabilidade política que dificulta a aprovação do Orçamento do Estado para 2027, tem provocado a subida do prémio de risco.

A França tem um défice público elevado e um Parlamento fragmentado que dificultam a conclusão de um acordo para aplicar uma consolidação fiscal credível, que resulta num prémio de risco soberano muito sensível aos próximos orçamentos, eleições e outros acontecimentos políticos, destacaram gestores da Schroders, citados pela Efe.

Desde 1986 até agora, o prémio de risco de França atingiu o máximo de 445 pontos base, em 19 de outubro de 1987, e o mínimo de -20 pontos base em 16 de julho de 1997.

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