Por Marcello Carvalho, g1 Campinas e Região
01/07/2026 18h21 Atualizado 02/07/2026
A Justiça determinou nesta terça-feira (30) que a Prefeitura de Campinas (SP) e o Estado apresentem, em 120 dias, um plano para reduzir a fila de cirurgias ortopédicas.
A ação civil pública foi ajuizada em 25 de junho pelo Ministério Público, que apontou a existência de 4.622 pacientes à espera do procedimento na cidade.
O promotor Daniel Zulian citou que a fila cresceu 23,9% entre setembro de 2023 e abril de 2026, com pacientes aguardando pelo procedimento desde 2014.
O juiz Mauro Iuji Fukumoto disse que o Estado e o município sabem da situação desde 2024 e que a fila de espera está aumentando.
O plano emergencial conjunto exigido pela Justiça deve conter metas de redução e diagnósticos da rede de saúde, sob pena de multa em caso de descumprimento.
MP aciona Prefeitura e Estado por espera de 12 anos para cirurgia ortopédica em Campinas
A Justiça determinou nesta terça-feira (30) que a Prefeitura de Campinas (SP) e o Estado de São Paulo apresentem, em até 120 dias, um plano emergencial com definição de prazo para reduzir a fila de cirurgias ortopédicas eletivas no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão tem caráter liminar e cabe recurso.
A ação civil pública foi ajuizada no último dia 25 pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP). De acordo com levantamento do órgão estadual, há 4.622 pacientes à espera do procedimento na cidade, sendo que alguns aguardam desde 2014.
Na decisão, o juiz Mauro Iuji Fukumoto, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, apontou que o Estado e o município têm conhecimento da situação desde 2024, e reconhecem a insuficiência da oferta de cirurgias.
Mesmo assim, ainda segundo o magistrado, "a fila aparentemente não está diminuindo, mas aumentando". Os órgãos públicos poderão ser multados caso não apresentem o plano.
"O que se determina aqui não é, evidentemente, a pronta solução da demanda reprimida, mas que os órgãos estaduais e municipais se debrucem sobre a questão e ofereçam opções para a solução do problema", ponderou.
Em nota, a Prefeitura de Campinas informou que realizou 79.896 cirurgias entre 2023 e 2026, das quais 16.957 foram ortopédicas, o que seria um "volume superior ao registrado em cidades de porte semelhante".
Além disso, a administração alegou que a rede municipal de saúde atende simultaneamente uma elevada demanda de urgência e emergência. Essa demanda já é sobrecarregada devido ao atendimento a moradores de outras cidades da região.
"Cerca de dois terços das cirurgias ortopédicas realizadas no período foram de urgência, principalmente em decorrência de traumas, que utilizam os mesmos leitos, salas cirúrgicas e equipes destinados aos procedimentos eletivos", explicou.
No entanto, a administração disse que tem adotado medidas para reduzir as filas de procedimentos — leia o trecho da manifestação abaixo.
O município defendeu maior participação da União e do Estado no financiamento da saúde pública e voltou a dizer que irá acionar a Justiça para pedir a atualização da Tabela SUS Nacional, alegando que os valores estão defasados e não cobrem os custos, especialmente das cirurgias ortopédicas.
Já a Secretaria da Saúde do Estado afirmou que não foi notificada da decisão e mantém diálogo permanente com os órgãos de fiscalização e judiciais — leia a nota completa abaixo.
A Diretoria Regional de Saúde tem ampliado a oferta de atendimentos na região de Campinas para ajudar a reduzir as filas do SUS, e destacou que a responsabilidade pelas filas municipais é das prefeituras.


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