Visitamos a feira de B2B realizada em São Paulo, que teve a participação de empresas e licenciantes do setor.

Quando alguma área da cultura pop começa a ter mais destaque entre os fãs, um dos movimentos naturais é o aumento de produtos disponíveis para compra. Isso aconteceu no universo dos jogos, dos super-heróis, e segue agora em alta no universo dos animês e mangás.

Prova disso é a presença significativa de tais propriedades intelectuais na LicensingCon Latam 2026, evento de negócios realizado este mês em São Paulo. A convite da Angelotti Licensing, o JBox esteve no primeiro dia do evento, que contou com empresas conhecidas por grandes obras no segmento dos animês e licenciantes nacionais dispostos a viabilizar cada vez mais itens físicos e experiências no Brasil.

Existem alguns fatores que contribuíram para alta de consumo de animês e mangás nos últimos anos, desde questões geracionais, até uma mudança nos hábitos ligados à cultura pop, como a pandemia de COVID-19 e a diminuição do interesse geral em filmes de super-heróis (ao menos em grande quantidade).

Luiz Angelotti, CEO da Angelotti Licensing & Entertainment Business, começou a observar uma virada desde meados de 2018, com o lançamento nos cinemas de Dragon Ball Super: Broly (que chegou ao Brasil em janeiro de 2019).

“Esse filme chamou a atenção do mercado para o fato de que o público de animê não era necessariamente somente o público otaku, mas também a nomenclatura ‘geek’ englobava esse público de maneira mais abrangente. Com a pandemia, o consumo de Naruto, Dragon Ball e One Piece teve uma explosão. Em 2022 a gente teve Naruto em praticamente todas as empresas licenciadas [da Angelotti], e ele era o nº 1 em vendas. Foi um fenômeno. E Dragon Ball e One Piece estavam sempre entre os cinco mais vendidos. Junto a eles nós tínhamos o Spider-Man, Superman, heróis mais tradicionais e tudo o mais.”

Angelotti também afirma que uma grande vantagem do universo de animês para os varejistas interessados em vender produtos é que há uma faixa grande de idade para trabalhar:

“Você começa dos seis anos e vai até os 40. Hoje nós temos as três marcas mais procuradas, que estão no radar das principais empresas, junto com super-heróis, que são Naruto, Dragon Ball e One Piece. E isso abriu a possibilidade que novos animês entrem no mercado, como Hunter x Hunter, Dan Dan Dan, Jojo’s Bizarre Adventure, Bleach, Death Note.”

Parte do espaço da Angelotti Licensing na LicensingCon Latam 2026 | Foto: Cakes Sousa/JBox

Outra empresa nacional presente no evento foi a Vertical Licensing, que representa o grupo Sony em questões de licenciamento, incluindo obras do cinema, TV, games, o filme live-action de Zelda e a Crunchyroll.

E Claudia Archela, sócia-diretora da empresa, repete o mesmo argumento: atualmente os animês alcançam um público mais abrangente, embora ainda existam algumas obras preferidas.

“O interesse aumentou nos últimos anos. Porque você não fala só com o público mais maduro, 18+, 16+. Há, por exemplo, Spy x Family, que fala com um público mais familiar, temos também o Bananya. Dentro da plataforma Crunchyroll, existem várias IPs que conversam com qualquer tipo de público. E está saindo do óbvio, do licenciamento de camiseta, bonecos, cadernos, e indo para a área de experiência, que está crescendo muito, e alimentos também. É um universo em franca expansão, e não só no Brasil, mas no mundo todo. Jujutsu Kaisen, My Hero Academia, Frieren e Diários de uma Apotecária são as quatro primeiras marcas dentro de Crunchyroll que estão despontando para o licenciamento. Jujutsu Kaisen é um grande sucesso de licenciamento.”

Outro detalhe apontado pela executiva são os planos futuros e como tudo precisa ser feito com certa antecedência: “Hoje já temos uma agenda fechada cobrindo 2027, 2028, porque é tudo muito antecipado. O processo de licenciamento é, com raras exceções, de longas negociações. Então o que vai estar no mercado nos próximos anos provavelmente já está fechado, em sigilo.”

Claudia afirma que a Vertical Licensing trabalha com a Crunchyroll há cerca de dois anos. No entanto, em 2023, a plataforma anunciou ao mercado uma parceria com a licenciadora Empatica Licensing, o que indica que houve alguma mudança no meio do caminho.

Vertical Licensing esteve no evento focando em Sony, incluindo a Crunchyroll | Foto: Cakes Sousa/JBox

Quando falamos de “sair do óbvio” em termos de licenciamento de produtos, entram em cena as experiências ao vivo e tours já prometidas por algumas propriedades intelectuais. Esse é o caso de Kagurabachi, mangá de sucesso nos últimos anos, e que anunciou uma “turnê global de lançamento” do animê, que começou em julho deste ano.

A produção esteve presente na LicensingCon através da CyberAgent, que trouxe representantes ao país.

Falando ao JBox, Masaya Hasegawa, líder global de licenciamentos da empresa, afirmou que, até o momento, apenas a estreia do animê está confirmada no Brasil. Ele afirma que a CyberAgent ainda não conhece o mercado nacional a fundo para anunciar algum evento maior por aqui, mas deixou um gancho interessante para os mais esperançosos:

“Ainda estamos trabalhando, mas como no Brasil existe a CCXP e o Anime Friends, queremos também mostrar Kagurabachi nestes eventos. Já planejamos fazer algo na CCXP.”

Kagurabachi é um dos lançamentos mais aguardados de 2027 no universo dos animês | Foto: Cakes Sousa/JBox

Para quem gosta de animês e games, um dos anúncios mais interessantes das últimas semanas é a série animada de Free Fire, chamada de Daybreak. A produção também estava representada no evento pela Pepper2Play, que já possui os direitos dos produtos do jogo e de outras propriedades interessantes, como Cyberpunk 2077 e Cyberpunk: Mercenários.