Jornalista João Gabriel de Lima retrata forças radicais em ascensão
benefício do assinante
Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.
benefício do assinante
Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.
Salvar para ler depois
Recurso exclusivo para assinantes
assine ou faça login
10.set.2026 às 23h00
Edição Impressa Diminuir fonte
A Direita à Direita da Direita
Preço R$ 59,90 (154 págs.) Autoria João Gabriel de Lima Editora Faria e Silva
A recente vitória da AfD (Alternativa para a Alemanha) em uma eleição regional no país europeu foi mais um passo na marcha da direita radical para se firmar no cenário político global.
A legenda com raízes neonazistas é parte de uma "internacional reacionária" que vem crescendo gradualmente em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil, desde o início deste século. Tanto que merece ser estudada como uma força autônoma, dividindo o espectro ideológico atual com a esquerda e a direita tradicionais.
Esta é a tese central do livro "A Direita à Direita da Direita", do jornalista João Gabriel de Lima, colaborador da Folha em Lisboa.
O lançamento será às 19h nesta sexta-feira (11), na Livraria da Travessa de Pinheiros, em São Paulo. O autor participa de um bate-papo mediado pela repórter especial Patrícia Campos Mello, seguido de sessão de autógrafos.
Lima acompanha o fenômeno de uma posição privilegiada, dado que a Europa é hoje um dos centros irradiadores desta ideologia que cultiva, nas palavras do autor, a política "como campo de aniquilação, e não de negociação".
"A ultradireita, em sua forma contemporânea, é como um bicho novo na política, que a meu ver veio para ficar. Comparo-a a um elefante, porque é algo que é difícil de não ver e reconhecer, embora haja quem negue sua existência", diz o autor.
O livro se debruça sobre países onde a direita radical hoje é parte expressiva da paisagem política, como Brasil, Argentina, Chile, Estados Unidos, Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Hungria e Polônia.
Não é um bloco monolítico, contudo, tendo prioridades regionalizadas. Na Europa, a ênfase maior é na imigração e na teoria conspiratória da "grande substituição", segundo a qual hordas de muçulmanos vão diluir a civilização ocidental judaico-cristã.
Na América Latina há um foco especial sobre a chamada "ideologia de gênero", enquanto os norte-americanos têm uma fixação pela questão do armamento.
Em comum, todas rejeitam um conjunto de valores que foram agrupados pelos próprios direitistas no conceito de "marxismo cultural": direitos humanos, ambientalismo, direitos reprodutivos, políticas de afirmação racial e globalismo, entre outros.
"A internacional da ultradireita que vem se formando no mundo está ajudando a uniformizar o discurso reacionário, num processo em que as agendas se influenciam mutuamente", diz o escritor.
Com relação à direita tradicional, a diferenciação se dá pelo foco em valores e não tanto nos temas econômicos, como ocorreu na segunda metade do século 20. Em outras palavras, menos Margaret Thatcher e mais Marine Le Pen.
Para o autor, a ascensão desta vertente mais extremada do conservadorismo apresenta novos desafios para a democracia, como o triunfo da AfD exemplifica.
A questão central é até que ponto é possível criar "cordões sanitários" para impedir que partidos eleitos democraticamente exerçam o poder e paradoxalmente ameacem a própria democracia?




0 Comentário(s)
Deixe seu comentário