Obra chega esta semana às salas de cinema portuguesas, depois de ter feito sucesso no Brasil.
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Obra chega esta semana às salas de cinema portuguesas, depois de ter feito sucesso no Brasil.
Uma mulher decide mudar de vida. Aos 50 e tal anos, vai sair do Brasil e viver para Portugal, começar do zero. Antes que tal aconteça, porém, contacta amigos e familiares, pessoas que, em tempos, lhe ofereceram livros com dedicatória.
Ana Catarina (interpretada pela atriz Denise Fraga) começa a distribuir estes tomos – que mais não são do que a vida que ficou para trás, as suas memórias, o seu passado –, porque só sem livros conseguirá construir novas memórias e um novo futuro.
Eis a premissa de ‘Livros Restantes’, que chega nesta semana às nossas salas de cinema e com que a argumentista e realizadora brasileira Márcia Paraíso admite estar a contar uma parte da sua própria história pessoal. Ao CM, recorda que mudou oito vezes de casa e que transportar a biblioteca de um lado para o outro causou sempre “grande preocupação” e resultou “em muitas perdas”.
“A cada nova mudança perdia mais livros, e, com eles, as marcas de momentos que tinham sido importantes para mim”, reflete. “Acerta altura questionei-me: o que faria eu se tivesse de doar a biblioteca inteira?” Foi esta reflexão que lhe inspirou o argumento para o filme, que teve um “sucesso monstro” no Brasil, permanecendo durante 13 semanas consecutivas em cartaz – coisa rara.
“Funcionou o boca a boca, sobretudo entre os frequentadores de clubes de leitura”, revela Márcia Paraíso, que “há muito tempo queria trabalhar com a atriz Denise Fraga”.
“Mandei-lhe o argumento, ela adorou e disse imediatamente que queria ser a Ana Catarina. E eu queria uma atriz que não fizesse tratamentos estéticos... Que representasse a brasileira comum. A Denise tem esse rosto marcado pela vida. Ela carrega a alma de todas mulheres comuns”, adianta a realizadora, que espera agora, que ‘Livros Restantes’ “tenha uma boa receção junto do público português”. “Estou expectante.”
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