O governo Lula anunciou a compra de um supercomputador especializado em desenvolver inteligência artificial no valor de R$ 1 bilhão e um acordo estratégico de R$ 1,2 bilhão para formar especialistas e transferir tecnologia da China para o Brasil.No pri
O governo Lula anunciou a compra de um supercomputador especializado em desenvolver inteligência artificial no valor de R$ 1 bilhão e um acordo estratégico de R$ 1,2 bilhão para formar especialistas e transferir tecnologia da China para o Brasil.
No primeiro caso, a máquina deve ter os chips da norte-americana Nvidia, os mais avançados do mundo para IA. No segundo, que também prevê a instalação de um supercomputador, as parceiras serão as chinesas Huawei, gigante das telecomunicações, e a iFlytek, referência em IA.
O movimento é uma guinada no plano inicial de concentrar recursos em um só supercomputador e foi feito, segundo interlocutores no Palácio do Planalto, para não subordinar a estratégia nacional para IA nem aos Estados Unidos nem à China, os dois líderes nessa corrida tecnológica.
O presidente Lula anunciou as compras e um pacote de medidas para IA, como um centro para tornar a IA mais transparente e um projeto para construir um modelo de serviço de computação em nuvem nacional, em visita ao Pax (Parque Tecnológico Augusto Severo), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal (RN).
As medidas integram o PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos na infraestrutura computacional, capacitação de mão de obra especializada, criação de modelos nacionais de IA e construção de serviços públicos com a tecnologia.
As definições a respeito do computador para IA mudaram desde que o PBIA foi lançado, em 2024. Inicialmente, ficaria no LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica), em Petrópolis (RJ), e o objetivo era turbinar o Santos Dumont, máquina com 5,1 petaflops/s (5,1 quatrilhões de operações matemáticas por segundo) à época e que hoje possui 27 Pflops.
Só que, desde de o anúncio do plano bilionário, prefeitos e governadores começaram a se mexer para levar o supercomputador para suas bases. A vencedora foi a governadora potiguar, Fátima Bezerra (PT-RN), que acenou com energia renovável e disponível, espaço físico e o corpo técnico.
Isso e a possibilidade de descentralizar a infraestrutura tecnológica levou o governo a bater o martelo nos últimos dias e decidir que o supercomputador ficará no Pax, da UFRN, e terá projeto e gestão a cargo do LNCC. A capacidade prevista é de 7,2 mil Pflops ou 7,2 Exaflops, potência suficiente para catapultar o Brasil para as primeiras posições nos rankings de máquinas mais potentes do mundo.
O equipamento será adquirido via compra pública, cujo edital de ampla concorrência também foi anunciado hoje. A equipe técnica cogitou incluir o número de GPUs presente na máquina, mas preferiu modular o documento com base na capacidade de processamento para estimular a competição entre os concorrentes.
Ainda que o mais provável vencedor seja um equipamento repleto de chips da Nvidia, não estão descartadas propostas com processadores da Intel ou da AMD. As proponentes, que não são necessariamente as fabricantes dos chips, terão de combinar eficiência na arquitetura adotada para entregar o poder computacional estipulado dentro da faixa de preço.
Para dar o tom da expectativa, um servidor próximo das negociações faz um paralelo: demoraria 4 mil dias para treinar o GPT 4 no Santos Dumont, mas, com o novo supercomputador, a ideia é ter poder computacional para desenvolver um LLM (grande modelo de linguagem) em um mês.
O início da operação está previsto para o final de 2027. Como o equipamento ficará disponível a empresas e pesquisadores, seu acesso terá regras estipuladas por um comitê interministerial e distribuído entre universidades, órgãos públicos e empresas privadas.
Já a parceria com Huawei e iFlytek será executada pela RNP (Rede Nacional de Ensino e Pesquisa) no Rio de Janeiro. Também prevê a implantação de infraestrutura de supercomputação. Há algumas semanas, técnicos do governo Lula foram à China para participar da WAIC (Conferência Mundial de IA) e tiveram reuniões com a Huawei, que lançou na feira o Atlas SuperPod 950, seu supercomputador de IA.
A expectativa é essa ser a máquina usada no projeto brasileiro, que focará não só na implantação de capacidade de processamento, mas também na formação de profissionais especializados (5 mil pessoas) e no desenvolvimento nacional de softwares necessários à IA. Outro objetivo dessa frente é a criação de um LLM nacional —esses são os motores por trás de ChatGPT, Gemini e Claude— e também de IAs treinadas e versadas em português.
O início da operação está prevista para julho de 2027, e o desembolso de R$ 1,276 bilhão será feito ao longo de cinco anos.
Outra frente dentro dos anúncios voltados à infraestrutura de tecnologia é de longo prazo. É uma parceria internacional para desenvolver chips
Do lado brasileiro, a iniciativa será liderada por Instituto Eldorado e Unicamp, ambos de São Paulo. Do lado espanhol, estará o ecossistema de inovação de Barcelona. A ideia é, num período de dez a 15 anos, formar pessoas e possuir capacidade técnica de criar semicondutores baseados na arquitetura aberta RISC-V, que não é de propriedade privada.
O presidente Lula anunciou também que MGI (Ministério da Gestão e da Inovação), BNDES, Serpro e ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial) trabalharão juntos para criar uma proposta de serviço nacional de computação em nuvem.
Na avaliação do governo, quando se tratam de serviços digitais, o Brasil já possui ações de soberania para os dados e a operação. Símbolo dessa impressão é a Nuvem do Governo. Operada por Serpro e Dataprev, é uma modalidade de prestação de serviço que obriga as provedoras de nuvem a manter as informações dentro do território nacional e sob regras rígidas de segurança e transparência.
Mas, avaliam servidores, falta soberania tecnológica. Ou seja, tecnologias feitas e mantidas por empresas brasileiras empregadas no armazenamento de dados.




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