Evento em Campinas oficializa a campanha petista e consolida estratégia de nacionalizar a disputa estadual, com críticas ao bolsonarismo e a Trump
Priorizar nos meus resultados Google A convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo neste sábado, 25, foi marcada por um esforço coordenado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de aliados para nacionalizar a disputa estadual e apresentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como representante do bolsonarismo e do alinhamento a líderes da direita internacional.
Reunidos em Campinas, terceiro maior colégio eleitoral paulista, com 870.672 eleitores, os principais nomes do campo governista no estado também buscaram associar Haddad à defesa da soberania nacional, da educação pública e dos programas sociais. Discursaram no palanque as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que hoje lideram as pesquisas ao Senado por São Paulo.
Em seu discurso, Lula pediu explicitamente que os eleitores relacionem seu nome aos ex-ministros da Fazenda, Meio Ambiente e Planejamento durante a campanha. “Quem vota em Lula, vota em Haddad, vota em Marina e vota em Simone”, declarou.
O presidente também afirmou que a campanha de 2026 deverá ser marcada pelo uso de inteligência artificial para disseminação de desinformação e pediu mobilização permanente da militância. “Talvez essa seja a primeira eleição do Brasil em que os adversários, por não terem propostas, vão usar inteligência artificial para inventar coisas que eles não fizeram e prometer o que não têm capacidade de cumprir”, afirmou o Presidente da República.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, fez o discurso mais duro contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Sem citar Tarcísio nominalmente, afirmou que São Paulo precisa de um governador que enfrente pressões externas e defenda a soberania brasileira.
“Estamos propondo um governador que não se esconda debaixo da mesa quando Trump propuser um tarifaço, mas que defenda a soberania nacional. Queremos um governador que defenda o nosso estado e o povo paulista.”
Edinho acusou Trump de utilizar tarifas comerciais como instrumento de coerção internacional e criticou o que classificou como ataques às instituições multilaterais. “Estamos vendo um governo Trump que utiliza tarifas como instrumento de coerção, como instrumento de oprimir outros povos.”
Também criticou lideranças que priorizam as redes sociais em detrimento da política. “Não queremos TikTok para dar dancinha. Queremos um líder que defenda o povo brasileiro e faça o povo sonhar com a construção de um Brasil que tenha futuro.”
Ao longo da convenção, os ataques ao governo Tarcísio foram recorrentes. Haddad afirmou que São Paulo perdeu protagonismo econômico e social e atribuiu esse cenário à condução da atual administração.
“Nosso dever é sair daqui com os números na cabeça para conversar com o estado inteiro e chamar a atenção dos paulistas para o desleixo do atual governo com a sua vida.”
O petista afirmou que o crescimento econômico paulista ficou abaixo da média nacional, criticou indicadores da educação e da segurança pública e voltou a atacar o programa de privatizações do governo estadual. Haddad também ironizou a aproximação de Tarcísio com o presidente argentino Javier Milei, que discursou também neste sábado na convenção do PL.
“Ele está lá com Milei, que tem 30% de aprovação. É com isso que estamos disputando? Com um cara que está questionando a urna eletrônica?”, disse o ex-ministro.
A convenção reuniu lideranças da coalizão que apoia Haddad. Marina Silva afirmou que o presidente Lula foi capaz de unir forças democráticas no país e criticou a gestão estadual em áreas como educação, saneamento e assistência social.
Marina também responsabilizou aliados de Trump pelos impactos econômicos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. “Essas pessoas que buscam os Estados Unidos estão prejudicando não uma ideologia, mas todo o povo brasileiro.”
Apostando na dobradinha com duas mulheres para o senado, Marina e Simone Tebet permaneceram juntas e, durante boa parte do evento, de mãos dadas. Elas se apresentam como duas professoras capazes de aliar meio ambiente e agricultura. Ao se apresentar à militância do PT, Tebet priorizou o discurso pelo voto feminino, mas também defendeu a ampliação do diálogo com setores conservadores, com ressalvas a extrema-direita.
“Vamos dialogar com a direita democrática, com a direita conservadora e com os indecisos, mas não com a extrema direita. O candidato da extrema direita acha que o papel da mulher é dentro de casa e que a mulher não sabe votar.”
Já o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que São Paulo “não quer a arrogância e a prepotência do atual governador”, defendeu investigação sobre a privatização da Sabesp e disse que o estado precisa de “um professor para recuperar a educação”.
O ex-ministro e ex-governador Márcio França (PSB), candidato a vice na chapa de Haddad, concentrou críticas pessoais ao governador. “Nem a família Bolsonaro quer o Tarcísio. Ele tem cheiro de traíra, cara de traíra, faro de traíra”, disse.
Além de homologar a candidatura de Haddad, a convenção marcou o lançamento formal da campanha da federação formada por PT, PCdoB e PV ao governo paulista. A estratégia apresentada pelos principais oradores combina críticas à gestão estadual com a tentativa de associar Tarcísio ao bolsonarismo e transformar a eleição em São Paulo em um dos principais palcos da disputa nacional de 2026.

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