Presidente citou o ex-governador durante evento para oficializar a adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (22) que o governo federal mantém uma relação histórica de apoio ao Rio de Janeiro e que a adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) segue na mesma direção.

Durante cerimônia no Palácio Guanabara, que oficializou a adesão do Rio ao programa, Lula afirmou que a parceria institucional continuará durante a gestão do governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, assim como feito com o ex-governador Sérgio Cabral e com a prefeitura do Rio durante os mandatos do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).

"Foi feito assim com o Sérgio Cabral, foi feito assim com a Prefeitura do Rio de Janeiro e será feito com o senhor", declarou. "Quero lhe garantir que não haverá, da parte do governo federal, nenhuma objeção para que o senhor tenha a oportunidade de dar a esse Estado o exemplo de que é possível existir uma boa governança", disse.

Em outro momento, o presidente da República citou uma promessa feita na campanha de 2002 e ressaltou que a União não deixou de apoiar o Estado ao longo dos anos.

"Eu não esqueço nunca do meu primeiro discurso aqui, na campanha de 2002, quando estava disputando o segundo turno. Eu disse ao Sérgio Cabral: não faltará recurso do governo federal para ajudar o Rio de Janeiro a sair do lamaçal em que ele se encontrava", afirmou. Naquele pleito, o ex-governador se elegeu para o Senado.

"Nós nunca deixamos de ajudar o Rio de Janeiro", completou.

Segundo Lula, o tratamento diferenciado ao Estado se justifica pelo peso simbólico do Rio para a imagem do país. "O Rio deixou de ser capital da República e passou a aparecer na imprensa nacional nas páginas policiais, sendo que o Rio de Janeiro teria que ser cuidado com muito carinho, porque todos nós sabemos que a cara do Brasil no mundo ainda continua sendo o Rio de Janeiro", disse.

Ao encerrar o discurso, Lula elogiou a condução de Couto à frente do Executivo fluminense. "Tudo o que eu desejo é que o senhor cumpra a sua tarefa de interventor do Rio de Janeiro", afirmou, em referência ao fato de o desembargador ter assumido o governo após a dupla vacância do cargo.

O presidente também fez um apelo aos eleitores do Estado. "Que o povo do Rio de Janeiro saiba que não pode eleger ninguém que não faça aquilo que o senhor está fazendo, que é cuidar do povo do Rio de Janeiro", concluiu.

Com a adesão ao Propag, o Rio terá uma redução no valor da prestação mensal da dívida com a União, cujo valor total está em R$ 210 bilhões. Atualmente, o Estado realiza pagamentos médios de R$ 490 milhões mensais. Com a adesão ao Propag, a estimativa é que o valor cairá para R$ 113 milhões ao mês, com crescimento gradual ao longo de cinco anos.

Atualmente, o débito com a União é corrigido pela inflação (IPCA) mais juros de 4% ao ano. Pelo Propag, a correção continua sendo feita pela inflação, mas os juros serão zerados, conforme informaram o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, e o governador em exercício, Ricardo Couto.

Ao aderir ao programa, o estado também terá que dar uma entrada equivalente a 20% do total devido. De acordo com o governador, a entrada no Propag vai gerar um alívio de aproximadamente R$ 3 bilhões já este ano.