Campanha de Lula evitará IA em redes e materiais eleitorais por orientação do presidente, em meio a regras do TSE e alerta sobre deepfakes.
A campanha do presidente Lula decidiu evitar o uso de inteligência artificial na produção de conteúdos para redes sociais e de materiais que serão divulgados na disputa pela reeleição ao Palácio do Planalto. A orientação partiu do próprio petista, que tem adotado posição cautelosa e crítica sobre a tecnologia.
Integrantes do núcleo político de Lula afirmam que a decisão também busca reduzir riscos de problemas com a Justiça Eleitoral. A preocupação envolve especialmente conteúdos manipulados, ataques e peças que possam gerar questionamentos durante o período eleitoral.
Em agenda na Bahia, no mês passado, Lula criticou o uso de inteligência artificial em campanhas e disse que a tecnologia pode favorecer “mentirosos”. O presidente relacionou o tema à circulação de informações falsas na disputa política.
“Um cidadão que aprendeu a ter caráter com a Dona Lindu não aceitará IA para fazer campanha política. Vocês estão vendo na televisão: a verdade tarda, mas não falha. A mentira tem perna curta, ela pode causar prejuízo. Vocês viram o que fizeram comigo para não ser candidato em 2018”, afirmou Lula na ocasião.
Lula também elogiou a iniciativa do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, de restringir o uso da ferramenta nas eleições deste ano.
Em março, o TSE aprovou regras que proíbem a publicação, a republicação e o impulsionamento de conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial nas 72 horas anteriores à votação e nas 24 horas seguintes ao encerramento das urnas.
O coordenador da campanha de Lula e secretário nacional do PT, Éden Valadares, afirmou que a inteligência artificial não representa um problema em si quando funciona como apoio técnico. Ele citou edição e aprimoramento de conteúdos como usos aceitáveis da ferramenta.
“O advento da Inteligência Artificial e sua utilização em campanhas eleitorais, por si só, não é um problema. A questão está na forma e propósito do seu uso. Se empenhada como auxílio técnico, como ferramenta de edição por exemplo, como mecanismo de aprimoramento de conteúdos, ela é bem vinda”, disse Valadares.
O dirigente afirmou que a campanha se preocupa com o uso da IA para deepfakes, montagens, ataques pessoais, manipulação da verdade e desinformação.
“Estamos preocupados e alertando para o expediente adotado pela campanha adversária, pois faz uso das ferramentas de IA para manipular a percepção pública sobre a realidade concreta dos fatos e põe em xeque a integridade e a lisura das eleições”, declarou.


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