O medo que a criança começou a demonstrar ao chegar na escola levantou um alerta em psicóloga de Porto Alegre, que decidiu colocar um gravador na mochila do filho para entender o que acontecia do portão para dentro. Caso está no MP gaúcho.
Role, Da BBC News Brasil em São PauloPublished 24 junho 2026Atualizado 25 junho 2026Tempo de leitura: 8 minA psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.
Causou desconfiança na mãe o fato de a criança chorar rotineiramente no caminho para a Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre. Mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a instituição atende gratuitamente filhos dos brigadistas com idades entre 2 e 6 anos.
Ela conta que Pedro, cujo nome foi alterado para preservar a criança, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo. Desculpava-se, com insistência, diante de qualquer situação. "Se ele derrubasse uma água, ele me pedia desculpas várias vezes", diz. E começou a chorar muito ao se aproximar da escola.
Foi depois de mais um dia em que Pedro entrou pelo corredor da escola aos berros, pulando, "sendo levado", sem que ela pudesse acompanhá-lo, que a situação chegou ao limite para Shaiane.
No dia seguinte, ela colocou um gravador dentro da mochila da criança.
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No início, Shaiane disse que não tinha razões para se preocupar com a instituição onde seu filho passava algumas horas do dia.
Para chegar ali, a família esperou que ele completasse dois anos — pré-requisito para a matrícula — e passou por um processo seletivo, do qual ela desconhece os critérios de aceitação.
Mas, como o pai é brigadista, e a proposta apresentada à família era de uma escola de educação infantil, a instituição parecia uma boa escolha, segundo ela afirma.
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Passado o período comum de adaptação, Pedro foi se acostumando e começou a fazer amiguinhos.
Esporadicamente, algumas situações na escola incomodavam a mãe, como quando ele chegou com uma mordida no braço sem explicação.
"Perguntei se ele não avisou à professora [sobre a mordida] e ele disse que não, que ela estava ocupada cuidando de outros coleguinhas e por isso ele não quis falar", conta ela.
"Fiquei sem entender. Como ninguém viu aquela mordida?"
Ao perguntar à professora, a mãe ouviu que ninguém viu o ocorrido e que o menino não havia chorado.
"Achamos estranho. Uma mordida daquelas deve ter doído, e é normal que a criança chore."
Na mesma lista de situações que causaram estranheza à família do menino, está o dia em que ele voltou para casa com febre alta sem que ninguém houvesse avisado a mãe ou o pai, segue ela.
Um dia, Pedro chegou com uma assadura tão severa que ficou com dificuldade de caminhar pela casa.
Em nenhum desses episódios a escola demonstrou ter tomado conhecimento do ocorrido, de acordo com a mãe.


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