A categoria de arrancada Top Fuel é atualmente a única do automobilismo de elite em que as mulheres vencem os homens com frequência em competições importantes.

Como "ser lançada de um canhão". É a melhor comparação que a piloto de corrida Susanne Callin pode fazer sobre os níveis radicais da sua categoria no automobilismo.

Callin é bicampeã europeia da Top Fuel, uma categoria frequentemente descrita como o esporte mais rápido do planeta.

As corridas começam com um ronco de fazer tremer os ossos. Os carros com aceleração mais rápida do mundo deixam a linha de partida com chamas saindo dos escapamentos.

Sua velocidade atinge mais de 480 km/h em corridas que duram apenas quatro segundos. Os pilotos sofrem mais força G que os astronautas quando são lançados ao espaço.

Esta é a única categoria de elite do automobilismo em que as mulheres frequentemente vencem os homens na disputa pelos principais títulos.

As mulheres conquistaram sete dos últimos nove campeonatos europeus. E, até recentemente, a piloto americana Brittany Force detinha o recorde mundial de velocidade no esporte.

Para efeito de comparação, a última mulher a concorrer em um Grande Prêmio de Fórmula 1 foi a italiana Lella Lombardi (1941-1992) 50 anos atrás. E ela segue sendo, até hoje, a única a pontuar na categoria.

As mulheres representam cerca de 10% dos participantes do automobilismo e apenas 4% das pilotos de elite, segundo o grupo ativista More Than Equal ("Mais do que iguais", em inglês).

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Mas elas compõem 20% dos pilotos que concorrem nas temporadas americana e europeia da categoria Top Fuel.

A More Than Equal afirma que a Top Fuel é "a categoria automobilística com maior igualdade de gênero do mundo". E também é a forma mais extrema do esporte. Seu nome vem do poderoso combustível nitrometano que alimenta seus carros.

As corridas têm lugar em uma pista reta, com apenas 305 metros de comprimento. Normalmente, dois carros competem entre si.

A intensa força G atinge os carros no primeiro segundo da prova, quando eles saem de 0 para 160 km/h. E um segundo soco no estômago ocorre quando a embreagem finalmente é engatada, mais ou menos no meio do trajeto.

A aparência pode ser assustadora e o surto de adrenalina é "extremamente viciante", segundo a piloto sueca Susanne Callin, de 43 anos, em entrevista à BBC.

Ela conta que a preocupação com os riscos "sempre está presente", mas "a segurança realmente funciona".

Os pilotos contam com forte proteção e as precauções de segurança, hoje, são muito maiores. Acidentes fatais ocorridos em carros movidos a nitrometano em 2004 e 2008 levaram à redução do comprimento da prova.

Até mesmo assistir das arquibancadas já é uma experiência poderosa. As vibrações dos motores agitam o corpo e fazem o chão tremer.

Os espectadores são orientados a usar protetores auriculares. Afinal, o ruído é comparável a ficar ao lado de um jato de combate durante a decolagem.

A velocidade oficial mais alta já atingida em uma corrida de Top Fuel é de mais de 558 km/h, muito maior do que os mais de 372 km/h de um Grande Prêmio de Fórmula 1.