EntrelinhasEntrevistas exclusivas com protagonistas da política brasileira. Debates profundos sobre os principais assuntos da atualidade.

Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleO pastor Silas Malafaia. (Foto: Sebastião Moreira / EFE)Ouça este conteúdo

O pastor Silas Malafaia volta a ocupar um lugar de destaque no debate político brasileiro às vésperas de uma eleição que, segundo ele, será decisiva para o futuro da relação entre os Poderes. Para o líder religioso, a escolha de dois senadores por Estado pode representar a principal oportunidade de reação ao avanço do Supremo Tribunal Federal sobre a política nacional.

Malafaia também explica por que decidiu não participar da organização do ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista neste ano, diferencia manifestações públicas de atos partidários, comenta a disputa pelas vagas ao Senado e o embate com Sebastião Coelho.

Na avaliação do pastor, a direita precisa evitar a divisão e eleger senadores que defendam a independência do Congresso. Ele também faz uma análise do voto evangélico, critica a aproximação de determinados candidatos com Lula e afirma que Pablo Marçal, apesar de sua habilidade nas redes sociais, “é uma farsa”.

Entrelinhas:  A Primeira Turma do STF abriu ação penal contra o senhor por declarações consideradas ofensivas ao então comandante do Exército, general Tomás Paiva. O caso começou após uma representação encaminhada à Corte e te coloca como réu em processo relatado por Alexandre de Moraes. Como o senhor recebeu a notícia?

Malafaia: Vocês veem que essa gente não tem vergonha. É um negócio assim, tão vergonhoso e tão claro. O cara me manda pro Supremo Tribunal Federal, põe o nome do general que eu não citei, me encaminha para Alexandre Moraes, tudo armadinho, ninguém tem dúvida.

E agora tem a cara de pau de pedir para tirar o filho do Lula, que está envolvido até o pescoço nessa lama do INSS.

Entrelinhas: O senhor acredita que haverá algum freio ou algum limite para essa escalada do Supremo Tribunal Federal?

Malafaia: O que pode parar essa escalada é o povo ter consciência de votar em dois senadores agora por Estado, independentes, que não sejam capachos de ministro do STF. É a única chance. Não temos outra. Lamento dizer: grande parte dos senadores que estão lá é uma cambada de capacho subserviente ao STF. Então, essa é a nossa saída.

Ou então, aí eu vou usar minha fé, ok? Só uma intervenção divina. Ou uma revolta popular que chega no extremo do povo não aguentar mais. Você sabe que a pior coisa é quando um povo explode e não aguenta mais uma série de fatos.

Entrelinhas: O senhor também tem criticado a tese de que houve uma tentativa de golpe de Estado durante o governo Bolsonaro. O que, na sua avaliação, desmonta essa narrativa?

Malafaia: Essa conversa fiada de golpe! Eu fico com vergonha de ver um brigadeiro de quatro estrelas a serviço desse lixo, dessa farsa de pseudogolpe. Bolsonaro nunca apresentou nenhum documento para tentar dar golpe. É incrível. É só ir lá no depoimento dele. O documento de hipótese disso foi apresentado aos militares: “Vou convocar estado de sítio”, atribuição do Presidente da República, de pedir forças armadas.

Entrelinhas: Qual é sua opinião sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes?

Malafaia: Olha, a missão de Moraes já declarou em 2018 que "extrema-direita tem que ser combatida na América Latina". Ele usa a mesma falácia da esquerda que rotula a direita como extrema-direita.

Um ministro do STF não combate nem a extrema-direita nem a extrema-esquerda. Ele tem que ser imparcial.

Agora, a reunião que ele fez entre Lula e Alcolumbre para selar a paz, é uma vergonha. Caminhos tortuosos. Que país é esse que nós estamos? Uma vergonha. Sabe o que que se tornou o Supremo Tribunal Federal? Supremo Tribunal Político da Injustiça.

Entrelinhas: O senhor tem acompanhado também a atuação do ministro André Mendonça. Ele se tornou uma espécie de esperança de parte dos brasileiros que esperam um Supremo mais equilibrado. Como o senhor avalia a atuação dele?

Eu tenho dito que o André Mendonça tem dado uma demonstração do que é ser ministro de uma Suprema Corte. Discrição, fala pouco, não tem show pirotécnico, não tem convites para entrevistas, muito discreto, muito técnico, e essa é a minha esperança.

A minha esperança é aquilo que nós esperamos de qualquer ministro do STF: justiça, imparcialidade, discrição.