Levantamento com dados do Google Trends mostra que interesse por medicamento sem registro usado para emagrecimento cresceu em um ano

benefício do assinante

Você tem 7 acessos por dia para dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

benefício do assinante

Assinantes podem liberar 7 acessos por dia para conteúdos da Folha.

Salvar para ler depois

Recurso exclusivo para assinantes

assine ou faça login

Claudia Pereira Galhardi Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (NECHS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)

O desenvolvimento de medicamentos à base de semaglutida (como Ozempic, Rybelsus e Wegovy) e de tirzepatida (Mounjaro) transformou o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A eficácia desses medicamentos –todos os acima citados aprovados no Brasil pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)– despertou grande interesse da população.

Ao mesmo tempo, intensificou a busca por informações sobre produtos ainda sem autorização sanitária, que vêm sendo comercializados ilegalmente no mercado paralelo da internet, gerando riscos à saúde de quem se arrisca a usá-los.

Mato Grosso do Sul registrou o maior volume proporcional de buscas online, seguido por Mato Grosso, Distrito Federal, Alagoas e Acre.

É o que mostra o estudo "Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil", que analisou o comportamento de busca por esses produtos entre maio de 2025 e maio de 2026. Entre maio de 2025 e maio de 2026, analisamos, com base em dados do Google Trends, o comportamento de busca relacionado a cinco produtos vendidos como canetas emagrecedoras sem registro sanitário no país: TG, Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida.

Sem o aval da Anvisa, não há garantia de que a composição informada no rótulo corresponda ao conteúdo dos produtos. Também não há garantia de que eles atendam aos padrões de qualidade, concentração e segurança exigidos.

No caso da retatrutida, a Anvisa alertou que a substância está em fase de pesquisa clínica e ainda não foi aprovada para uso terapêutico em nenhum país.

Os resultados da pesquisa apontaram um aumento expressivo do interesse por esses medicamentos ao longo do período analisado. Após um intervalo inicial de estabilidade, as buscas passaram a crescer continuamente entre junho de 2025 e janeiro de 2026, com aumento médio de 6,29% por semana. Depois disso, a tendência foi de estabilização.

Esse aumento expressivo e sustentado de interesse evidencia a influência do ambiente digital na procura por tratamentos para emagrecimento. Nesse contexto, redes sociais, aplicativos de mensagens e mecanismos de busca tiveram papel central tanto na circulação de informações quanto na disseminação de desinformação sobre o tema. Os dados não permitem saber quantas dessas buscas foram convertidas Os dados não permitem saber quantas dessas buscas foram convertidas em compras. em compras.

Nossa análise revelou também diferenças regionais. Mato Grosso do Sul registrou o maior volume proporcional de buscas, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes, seguido por Mato Grosso (48,8), Distrito Federal (39,0), Alagoas (33,2) e Acre (29,4). Na outra extremidade, Amapá (1,2), São Paulo (2,5), Rio de Janeiro (3,6) e Minas Gerais (4,0) apresentaram os menores índices de interesse.

O aumento das buscas online por informações sobre canetas emagrecedoras ocorreu em paralelo ao crescimento das apreensões realizadas por autoridades brasileiras. Segundo a Polícia Federal, Mato Grosso do Sul se destaca como uma das principais rotas de entrada e distribuição de medicamentos sem autorização sanitária, concentrando cerca de 60% das apreensões no país.

Voltar Compartilhe Ícone Facebook Facebook Ícone Whatsapp Whatsapp Ícone X X Ícone de messenger Messenger Ícone Linkedin Linkedin Ícone de envelope E-mail Ícone de linkCadeado representando um link Copiar link Ícone fechar

Em 2024, a Receita Federal apreendeu cerca de 2,7 mil unidades identificadas como "canetas emagrecedoras". Em 2025, esse número saltou para aproximadamente 32 mil unidades e, apenas nos dois primeiros meses de 2026, alcançou 25 mil. No acumulado desde 2024, as apreensões representam cerca de R$ 51 milhões em produtos retidos pelas autoridades.