Dos livros-jogos aos sistemas específicos, passando por oráulos, aventuras prontas e a revolução da cena brasileira de RPG Solo.

Quando a maioria das pessoas pensa em RPG, a imagem que vem à cabeça é um grupo de amigos, ao redor de uma mesa, com dados rolando entre salgadinhos e refrigerante. Mas todo mundo que já tentou organizar um grupo sabe o quão difícil é juntar um grupo de pessoas no mesmo dia, mesma hora, com alguma regularidade. Trabalho, faculdade, filhos, viagens, trânsito e imprevistos transformam o simples ato de marcar uma sessão em uma pequena aventura. Só que existe uma resposta para esse problema que, para muita gente, ainda parece contraditória: jogar RPG sem um grupo. Uma modalidade em que o jogador consegue sentar sozinho e ter uma experiência completa sem muita preparação ou materiais.

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Sites como o itch.io já contam com mais de 6.000 títulos deste gênero em seu catálogo. Ok, mas o que é esse tal de RPG solo? A modalidade tem vários estilos, indo do narrativista ao dungeon-crawl puro, mas a maioria dos jogos contam com similaridades. E, apesar de este estilo de jogo já existir há muito tempo, na última década ele tem ganhado mais força, ganhando até uma categoria própria nos ENNIE Awards.

Ok, mas o que é esse tal de RPG solo? A resposta é menos simples do que parece. A modalidade vai do jogo profundamente narrativo ao dungeon crawl mais tradicional. Pode usar diários, baralhos, mapas, tabelas, prompts, oráculos, livros com caminhos ramificados ou adaptações de sistemas originalmente pensados para grupos. Em muitos deles, tabelas de rolagem e mecanismos de geração aleatória assumem parte da função tradicionalmente exercida pelo Mestre. O jogador faz perguntas, interpreta respostas, toma decisões e descobre a história ao mesmo tempo em que a constrói. Em outras palavras, é possível ser jogador, narrador e público da própria aventura sem que isso signifique conhecer antecipadamente o que vai acontecer.

A Masmorra Uma das raízes mais importantes do formato aparece ainda em 1976, quando Rick Loomis publicou Buffalo Castle para Tunnels & Trolls. A aventura permitia que um único jogador explorasse uma masmorra usando as regras do RPG, tomando decisões e sendo direcionado para diferentes trechos do texto.

Isso é importante porque mostra que jogar sozinho não é uma adaptação recente criada pela internet. A ideia acompanha o próprio desenvolvimento inicial do RPG de mesa. O que mudou ao longo das décadas foi a quantidade de ferramentas disponíveis e, principalmente, a compreensão de que a experiência solo poderia ser muito mais do que percorrer uma masmorra escolhendo portas.