O eurodeputado João Cotrim Figueiredo deu conta de que, na sua ótica, "está toda a gente a pensar em eleições em 2027", ainda que possam estar "a disfarça...
O eurodeputado João Cotrim Figueiredo considerou, este domingo, que "está toda a gente a pensar em eleições em 2027", ainda que possam estar "a disfarçar um bocadinho". O liberal, que antecipou que Portugal estará a braços com uma crise política no verão do próximo ano, apontou ainda que o Partido Social Democrata (PSD) inverteu a sua estratégia, deixando as decisões ao critério do Chega e do Partido Socialista (PS) sem negociar.
"A seguir ao verão de 2027, a crise política estará instalada e todos os atores políticos estão a agir como se isso fosse verdade. Uns porque recusam fazer reformas e mudanças, outros porque já se estão a colocar numa posição [de vitimização] – acabando por dar razão a Pedro Passos Coelho", disse Cotrim Figueiredo, no seu espaço de comentário na SIC Notícias.
O antigo presidente da Iniciativa Liberal (IL) referia-se às declarações do ex-primeiro-ministro social-democrata, que criticou os políticos que, numa tentativa de agradar a todos, e ainda mais do que os populistas, se tornam postiços, comparando-os com "prostitutos sem caráter", no mês passado.
É que, na ótica do eurodeputado, o PSD evidenciou uma "inversão estratégica significativa", no rescaldo do 43.º Congresso Nacional do partido: "Têm estas oito reformas. Se quiserem recusar isto tudo, estão a bloquear-me, não me deixam trabalhar, são forças de bloqueio. Já me estou a preparar para a vitimização", explanou.
"Acho que, neste fim de semana, isto ficou bastante claro e, mesmo que estejam a disfarçar um bocadinho, está toda a gente a pensar em eleições em 2027", acrescentou.
Perante o chumbo da proposta da lei laboral na Assembleia da República, na sexta-feira, Cotrim Figueiredo atirou ainda que, "em Portugal, é impossível fazer reformas com a atual configuração parlamentar, porque o Chega só fará coisas que acha que não percam votos, e sabemos que a maior parte das coisas que é preciso fazer em Portugal podem não ser imediatamente muito populares, especialmente aquelas coisas que se foram adiando ao longo do tempo". Acresce que, para o liberal, "o PS também não quer mexer em absolutamente nada".
"Acho que está tudo a contar com eleições para 2027. O que é que o PSD veio dizer? Basicamente, a estratégia já não é vamos negociar com outros e ficar equidistantes, a estratégia é vamos propor estas oito famosas reformas e depois o Chega e o PS que decidam como é que hão de votar", resumiu.
Apesar do desfecho de sexta-feira, o ex-líder da IL equacionou que a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho, continuará no cargo e, "provavelmente, insistirá na reforma laboral".
O eurodeputado confessou também que o anúncio da criação de um fundo soberano para o Estado poder intervir "em setores estratégicos" o levou a "voltar trás, para ver se tinha ouvido bem".
"Portugal quer voltar à ideia que já era de Fernando Medina [antigo ministro das Finanças] de ter um fundo soberano, e para fazer o quê? Não é para preparar o país para grandes mudanças, é para voltar a ter, pela parte do Estado, participações em empresas estratégicas. É uma nacionalização parcial, total, é voltar à década de 70", disse, indicando, a título de exemplo, que "a intervenção à TAP foi um desastre".
E continuou: "Não é só na energia, é na banca. Desculpe, não chega ter a Caixa Geral de Depósitos? O Estado quer mais bancos? Nas comunicações – mas quais? O Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) não funciona, e as outras?"
Aliás, para o liberal, basta "o PS e o Chega para serem estatistas e socialistas, não precisamos que o PSD volte a investir". No entanto, Cotrim Figueiredo ressalvou "que isto é uma espécie de picada ao PS, para ver se morde esta iniciativa que poderia não merecer a sua recusa".
Recorde-se que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, deu conta de que o Governo avançará com medidas em oito áreas, durante o discurso de encerramento do 43.ª Congresso do PSD, em Anadia, este domingo. A reunião magna, que ficou marcada pelo chumbo da proposta de revisão do Código Laboral, terminou com a aprovação unânime da estratégia do chefe do Executivo, que mantém as portas abertas à negociação com o Chega e com o PS, apesar das críticas no plano político.
O 43.º Congresso Nacional do PSD terminou hoje em Anadia com a aprovação unânime da estratégia de Luís Montenegro, que mantém a porta aberta a negociações com o Chega e o PS, apesar de os rotularem como imobilistas.

