Jorge Messias afirmou a aliados que a PF o citou em relatório como retaliação por ele não contestar decisões de André Mendonça no caso do INSS.
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, disse a aliados que o relatório da Polícia Federal que o cita e foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes contra André Mendonça representa uma vingança. Em conversas reservadas, ele também classificou como uma “vergonha” as referências a seu nome no documento.
Na avaliação do chefe do órgão, a corporação reagiu ao fato de ele não ter atendido a um pedido para contestar iniciativas de Mendonça na investigação sobre fraudes no INSS, segundo o jornal O Globo. O relatório trata das razões para a AGU não atuar contra decisões de Mendonça no inquérito.
A Polícia Federal listou quatro hipóteses: a preservação da relação política com o relator, a convicção jurídica de que a medida não caberia, a cautela diante do custo de litigar contra um ministro do Supremo Tribunal Federal e uma avaliação de oportunidade política pelo Executivo.
Messias tentou culpar Moraes, Flávio Dino e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, por uma suposta articulação para desgastá-lo.
A divergência surgiu no inquérito que apura fraudes no INSS, relatado por André Mendonça. A PF queria que a AGU questionasse providências tomadas pelo ministro, mas Messias não apresentou a contestação pretendida pela corporação.
Antes do uso do relatório contra Mendonça, Messias participava de tentativas de construir uma saída para a crise provocada pela revelação de novas mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes. A proposta discutida previa devolver à PF o documento que cita Moraes e, em contrapartida, encerrar o Inquérito das Fake News.
O Inquérito das Fake News acabou mobilizado por Moraes contra Mendonça. A investigação, aberta no STF em 2019, apura a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques contra integrantes da Corte e instituições democráticas.
Mendonça teve papel relevante na articulação pela indicação de Messias ao STF, que o Senado rejeitou em abril. A derrota do governo Lula contou, nos bastidores, com a convergência de Moraes, bolsonaristas no Congresso e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).




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