Protótipo em testes registra continuamente imagens e sons para transformar os óculos em um assistente de IA

Priorizar nos meus resultados Google A Meta está desenvolvendo uma nova geração de óculos inteligentes com inteligência artificial capazes de registrar praticamente tudo o que o usuário vê e ouve ao longo do dia.

O projeto, ainda em fase de testes internos, representa mais um passo da estratégia do CEO, Mark Zuckerberg, de transformar os óculos inteligentes no principal dispositivo de acesso à IA, substituindo futuramente os smartphones.

Segundo pessoas familiarizadas com o projeto, os chamados recursos de “super sensing” (“super percepção”, em tradução livre) utilizariam câmeras e microfones para captar continuamente o ambiente ao redor do usuário.

A inteligência artificial analisaria essas informações para responder perguntas sobre acontecimentos do dia, localizar objetos, recuperar conversas ou ajudar na memória de eventos recentes.

A iniciativa, porém, já provoca intensos debates internos sobre privacidade e poderá abrir uma nova frente de questionamentos regulatórios para a empresa.

A proposta da Meta é criar um assistente pessoal que acompanhe o usuário durante todo o dia.

Os óculos fariam fotografias em intervalos de poucos segundos enquanto gravariam continuamente o áudio ambiente.

Em vez de simplesmente armazenar vídeos completos, a IA extrairia informações relevantes, como pessoas, objetos, locais e assuntos discutidos, permitindo posteriormente consultas do tipo:

“Onde deixei minhas chaves?”;

“Com quem conversei sobre determinado projeto?”;

Em qual restaurante estive ontem?”.

Segundo fontes próximas ao desenvolvimento, uma das arquiteturas estudadas prevê que as imagens e áudios brutos não fiquem disponíveis nem para o usuário nem armazenados permanentemente pela Meta.

Apenas metadados gerados pela inteligência artificial seriam enviados aos servidores da empresa para processamento, numa tentativa de reduzir riscos de privacidade.

Um dos pontos mais controversos envolve justamente a forma como terceiros saberiam que estão sendo registrados.

Os atuais óculos inteligentes da Meta, desenvolvidos em parceria com a EssilorLuxottica, acendem um pequeno LED na armação sempre que o usuário grava vídeos ou tira fotografias.

No novo sistema, porém, executivos discutem desativar essa luz quando os recursos permanentes de inteligência artificial estiverem em funcionamento.

Na prática, pessoas ao redor poderiam estar sendo captadas sem perceber que os sensores estão ativos,  justamente um dos aspectos que mais preocupa especialistas em privacidade.

Os planos ainda podem ser alterados antes de um eventual lançamento comercial.

As funções de monitoramento contínuo não dependem necessariamente de um novo hardware.

Segundo as fontes, parte dos recursos poderá ser liberada por atualização de software para alguns modelos atuais dos óculos inteligentes da Meta, ampliando rapidamente a base de usuários da tecnologia.