O Presidente argentino confirmou que vai apresentar quinta-feira uma proposta de reforma do Banco Central do país, para devolver à instituição a missão de ...
Javier Milei sublinhou na terça-feira que passará a ser "proibido financiar de forma direta ou indireta o fisco" e advertiu que "aqueles que decidirem violar o equilíbrio fiscal vão acabar presos".
Milei falava durante um ato em que foi distinguido com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade San Martín de Porres (USMP) em Lima, no Peru, após assistir à tomada de posse da recém-eleita Presidente do país, Keiko Fujimori.
O chefe de Estado argentino antecipou que pretende proteger as autoridades do Banco Central, exigindo dois terços do Senado e da Câmara de Deputados para destituir qualquer dirigente daquela instituição. "Portanto, quando vier um político e quiser demitir a seu bel-prazer o presidente do Banco Central, não vai poder", afirmou.
"O Banco Central vai estar armado com poder suficiente para resistir a qualquer embate político. Vamos aniquilar de uma vez por todas a inflação e esse roubo sinistro que é a emissão de dinheiro sem respaldo", acrescentou.
A USMP atribuiu a distinção honoris causa a Milei pelo "compromisso com o fortalecimento da liberdade económica e social", bem como com a modernização do Estado.
As autoridades académicas destacaram a "ciência económica rigorosa" aplicada por Milei no seu governo (2023-2027), qualificando-o como "porta-bandeira da liberdade" e recordando frases deste como: "o problema não é o mercado, o problema é o Estado que mete a mão onde não deve".
Milei salientou ainda o critério da moral como política de Estado, apontando a promoção da cultura do trabalho e da poupança como pilares da sua ação governativa.
"A Argentina era um país desenvolvido no início do século XX, quando chegámos estava no grupo dos menos desenvolvidos. Isso foi o que nos deixou um legado do populismo, que destruiu a cultura do trabalho, destruiu a cultura da poupança, que explica este mau equilíbrio", declarou.
O Presidente argentino explicou que a estratégia de crescimento assenta na desregulação, no capital humano e na abertura da economia, depois de ter conseguido reduzir o défice fiscal que atingia 15% do produto interno bruto (PIB).
Milei assinalou que a pobreza afetava 57% da população argentina quando assumiu a Presidência em 2023, valor que caiu para os 29% atuais, algo que descreveu como 14 milhões de argentinos terem saído da pobreza.
"Avançámos na direção correta", afirmou, lembrando que herdou uma inflação diária de 1,5% e que atualmente se situa em torno dos 30% em termos anuais.
Na terça-feira, a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deu um apoio forte ao programa económico do presidente, reconhecendo o "sacrifício" dos cidadãos argentinos na "difícil" transição para a estabilidade macroeconómica.
O organismo assinou com a Argentina, em abril de 2025, um acordo de facilidades alargadas no valor de 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros).
Em maio passado, o FMI aprovou a segunda revisão do programa, apesar de o país sul-americano ter voltado a falhar -- como na primeira revisão -- a meta de acumulação de reservas monetárias.
A aprovação da segunda tranche desbloqueou o envio imediato para a Argentina de mil milhões de dólares (875 milhões de euros), elevando para 15,8 mil milhões de dólares (13,7 mil milhões de euros) os desembolsos feitos no âmbito do programa em vigor.
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