O ex-vereador Milton Leite, presidente da Câmara Municipal de São Paulo por seis mandatos, se entregou à polícia pouco antes das 16h. O ex-parlamentar teve a prisão temporária, de 30 dias, decretada ontem pela Justiça, no âmbito de uma nova fase da Operação V…
O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), presidente da Câmara Municipal de São Paulo por seis mandatos, se entregou à polícia pouco antes das 16h desta sexta-feira (18). O ex-parlamentar teve a prisão temporária, de 30 dias, decretada ontem pela Justiça, no âmbito de uma nova fase da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).
No inquérito, é apurado possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital e também em outras cidades do Estado. A suspeita é de que Milton Leite, um dos políticos mais influentes de São Paulo e aliado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), seria o responsável direto pela operação de algumas das empresas controladas pela organização criminosa.
Segundo a apuração, ele seria o real dono da Transwolff, com quem a prefeitura rompeu contrato no final do ano passado após ela ter sido alvo da Operação Fim de Linha, iniciada em 2024, que também apurou elos com o PCC.
A polícia foi até a casa do político no início da manhã de ontem, na região de Interlagos, zona sul da cidade, mas não o encontrou. Leite disse estar viajando, negou as acusações e prometeu se apresentar às autoridades em até 24 horas. "Nego veementemente todas as acusações", disse ontem ao Valor. "Não tenho relação nenhuma com o PCC."
Segundo Milton Leite, a relação que teve com empresas do setor foi de forma institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. "Ele tinha dificuldade com o setor e me pediu para que eu cuidasse. Tanto que não houve greve com ele. A única que houve foi em 2019 e foi debelada por mim", afirmou o ex-vereador.
Ao todo, 16 foram presos em operação
Além dele, outras 15 pessoas são investigadas e tinha sido presas até ontem. Ao todo, foram cumpridos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
Outros presos pela operação foram Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e o candidato a deputado estadual pelo PL Danilo Morgado, que concorreu à prefeitura de Praia Grande em 2020 e 2024. Segundo as investigações, Oliveira teria teve "encontros periódicos" com integrante do PCC a fim tratar de interesses da facção relacionados a empresas de transportes. Já Morgado teria tido a campanha de 2024 financiada pela organização.
Morgado passou por audiência de custódia na manhã de hoje e mantiveram a prisão dele, informou um de seus advogados, Marcelo Viela Fernandez. Em nota à imprensa, a defesa de Morgado disse que "após ter acesso ao conteúdo da investigação, não identificou elemento objetivo que demonstre o recebimento de vantagem financeira, favorecimento indevido ou qualquer benefício relacionado ao pleito eleitoral de 2024". Afirmou ainda que "seguirá adotando as medidas jurídicas cabíveis" e que "a verdade dos fatos será devidamente restabelecida".




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