O Ministério Público de Goiás propôs uma ação contra o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, pelo que foi considerado emprego excessivo de policiais militares do estado como seguranças dele e de familiares. Segundo o órgão, a conduta configura ato de improbidade administrativa causador de enriquecimento ilícito e lesão ao erário. Leia mais (06/27/2026 - 12h59)

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27.jun.2026 às 12h59 Atualizado: 28.jun.2026 às 22h41

Ana Gabriela Oliveira Lima

O Ministério Público de Goiás propôs uma ação contra o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, pelo que foi considerado emprego excessivo de policiais militares do estado como seguranças dele e de familiares. Segundo o órgão, a conduta configura ato de improbidade administrativa causador de enriquecimento ilícito e lesão ao erário.

O pelotão de 51 policiais foi divulgado pela Folha, que teve acesso a um documento que aponta gasto total com o salário dos agentes de R$ 797,5 mil por mês, fora acréscimos de funções comissionadas, gratificações e diárias.

A petição do Ministério Público foi enviada pela promotora Leila Maria de Oliveira. Ela pede o ressarcimento ao erário dos gastos com a medida e a suspensão dos agentes que extrapolam a previsão legal.

A ação mira Caiado, a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, também beneficiária do esquema de segurança, e o coronel Marco Aurélio Godinho, secretário-chefe da Casa Militar de Goiás.

A Folha tentou o contato com Godinho, por meio da Casa Militar, e com as assessorias de Ronaldo e Gracinha Caiado, que não retornaram.

Questionado anteriormente sobre o efetivo, o ex-governador afirmou que 'escolta não é mordomia' e falou da necessidade de segurança em razão de sua gestão ter combatido o crime organizado.

Em 1º de abril, um dia após a renúncia de Caiado do governo de Goiás para concorrer à Presidência, Godinho assinou no Diário Oficial do estado uma portaria com novas regras para a segurança de ex-governadores.

Ele estipulou que as ações também se estendem a familiares do ex-governador, que pode indicar quais policiais militares vão compor a equipe, em caso de disponibilidade. A portaria determinou ainda que ficam a cargo da Casa Militar do estado "a estrutura de transporte e hospedagem", assim como "os demais recursos logísticos necessários à execução das medidas de segurança".

O benefício é válido pelo tempo em que o político tiver exercido o cargo de governador, desde que o período seja superior a três anos. Caiado ficou no cargo por sete anos e três meses.

O Ministério Público diz que a portaria "ampliou indevidamente o rol de beneficiários da proteção estatal e possibilitou o emprego de recursos públicos para finalidades estranhas ao interesse público".

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O órgão afirma não haver previsão legal para que a garantia se estenda a familiares do ex-governador e acrescenta que os fatos têm "especial relevância diante da circunstância de que sua ocorrência coincide com período de intensa atividade de campanha político-eleitoral dos beneficiários", em referência à pré-campanha de Caiado à Presidência e de Gracinha ao Senado.

O Ministério Público manifestou o entendimento de que a regra estadual mantém norma estipulada em 2011 que previa quatro seguranças a ex-governadores. A promotora também considerou que a ampliação a familiares inovou "na ordem jurídica em matéria não autorizada" pela Constituição Estadual.