Estimativa considera ganhos de renda, produtividade e qualidade de vida
Mônica Bergamo é jornalista e colunista
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O Pé-de-Meia pode gerar um benefício econômico de R$ 184,6 bilhões ao Brasil, segundo estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper. O valor é uma estimativa do que as conclusões adicionais do ensino médio podem representar para os jovens e para a sociedade ao longo de suas vidas e equivale a cerca de 15 vezes o custo anual do programa do MEC (Ministério da Educação), estimado em R$ 12 bilhões.
Os pesquisadores Daniel Duque e Michael França (colunista da Folha) estimam que o programa esteja associado a cerca de 372 mil conclusões adicionais do ensino médio por ano. Para chegar a esse número, eles cruzaram o efeito estimado do Pé-de-Meia sobre a permanência escolar com o número de jovens de baixa renda que podem ser alcançados pelo programa e com a probabilidade de esses estudantes avançarem até a conclusão.
O estudo, que será revisado por pares, considera cerca de 15,87 milhões de jovens de 15 a 24 anos inscritos no Cadastro Único. A partir desse grupo, os pesquisadores estimam que o Pé-de-Meia fará com que aproximadamente 372 mil jovens a mais concluam o ensino médio por ano.
Desse total, cerca de 145,6 mil estão na faixa de 15 a 19 anos, e 226,1 mil têm entre 20 e 24 anos.
A partir daí vem a parte financeira da conta. Os pesquisadores buscaram estimar quanto vale, em termos econômicos, uma pessoa concluir a educação básica. Para isso, usaram como referência um estudo de 2021, de Ricardo Paes de Barros e outros autores, que calculou as perdas para o país quando um jovem não conclui o ensino médio.
Esse cálculo considera que quem conclui os estudos tende a ter uma remuneração maior ao longo da vida. Também inclui ganhos de produtividade para a economia e efeitos associados à longevidade, à qualidade de vida e à cultura de paz.
No cálculo mais amplo usado pelo Insper, cada conclusão do ensino médio vale cerca de R$ 537,2 mil em valores de 2025. Para os jovens de 20 a 24 anos, o valor é menor, de R$ 470,7 mil, porque os pesquisadores aplicam um desconto pela conclusão tardia dos estudos.
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É esse valor que explica os R$ 184,6 bilhões. As cerca de 145,6 mil conclusões estimadas entre os jovens de 15 a 19 anos representam R$ 78,2 bilhões. As 226,1 mil conclusões entre os de 20 a 24 anos representam outros R$ 106,4 bilhões.




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