Enquanto José Luís Carneiro "queimou-se" em casas vazias e denúncias furadas, Luís Montenegro foi ver a bola com o país sob alerta de fogo. E ainda, o IVA dos filetes é uma selva fiscal sem nexo.
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Vamos à análise dos temas que marcam a atualidade com notas de zero a 20. Começa agora mais um "Ivens D'Outé" das manhãs 360 e hoje, Carla, juntam-se a nós para darem notas o José Manuel Fernandes e aqui em estúdio, Alexandra Machado.
E esta manhã vamos ao Canadá, vamos aos benefícios fiscais e também às casas prontas a estrear. O assunto foi levantado no último fim de semana nas jornadas parlamentares do PS. Alexandra, tens uma fábula para nos contar?
Tenho. Vou fazer uma piada com o nome, obviamente, de José Luís Carneiro, mas só porque ontem Eurico Brilhante Dias, no debate no Parlamento sobre as medidas do PS em resposta ao aumento do custo de vida, também o fez. Portanto, estou ilibada desta.
Não foste tu que começaste.
Não fui eu que roubei a ideia. Já agora, para enquadramento, Eurico Brilhante Dias declarou que o PSD já estava a ver em Carneiro um lobo e que tinha medo de serem comidos como o Capuchinho Vermelho, embora tenha aqui um erro de fábula. Eurico Brilhante Dias fez um erro na sua fábula, mas vou aproveitar esta fábula de Eurico Brilhante Dias para ir a outra, que é a dos Três Porquinhos. Havia três porquinhos, cada um construiu uma casa. Um deles construiu uma casa mais robusta. Os outros dois construíram casas menos robustas. O lobo soprou em cada uma das casas, duas foram abaixo, a terceira manteve-se, que era a mais robusta. Mas depois, no final, o lobo, como não conseguiu deitar abaixo a terceira casa, entrou pela chaminé, caiu num caldeirão e foi queimado. E assim está José Luís Carneiro. Acho que foi completamente queimado nesta história e fica completamente queimado nesta história das casas de Grândola e de Vila Velha de Ródão. A história está contada hoje no Observador. Os dois autarcas do PS das localizações em causa explicam por que essas casas estão vazias e deve-se essencialmente a questões burocráticas muito graves. Acho muito grave esta questão de andarmos aqui ainda à espera que haja um acordo do Instituto de Segurança Social, que é tutelado pelo governo, é um facto, que é tutelado pelo Ministério da Segurança Social. Mas é muito grave estas questões burocráticas ainda estarem a impedir a utilização de algumas casas. Mas José Luís Carneiro atravessou-se por uma acusação ao governo, que se virou contra si e que ficou queimado. Que virou contra si e de forma bastante elucidativa e de alguma forma grave. Vamos por partes. José Luís Carneiro denunciou a existência de casas vazias, culpando o governo de estar à espera de eleições para colocar pessoas nessas casas, de atribuir essas casas. Logo à partida, ou José Luís Carneiro sabe alguma coisa que nós não saibamos, que é quando é que vão ser as eleições, ou era uma acusação extemporânea, porque já tinha havido eleições no passado em que as casas estavam vazias e não foram atribuídas. Portanto, ou está a antecipar eleições a muito breve prazo, ou então está a antecipar que as casas fiquem vazias ainda por alguns anos. Logo à partida, José Luís Carneiro esticou-se, para ser simpática. Depois, como estava a dizer, as casas estão vazias por questões burocráticas, não inteiramente por questões da responsabilidade atribuíveis à política. O Instituto de Segurança Social deveria ter feito um acordo com uma IPSS, que não foi feito. A autarquia é que devia fazer o acordo com a IPSS, não foi feito, porque não há acordo quanto ao valor a pagar à IPSS. E esta burocracia é lamentável, ainda mais num Estado que quer reformar e que quer desburocratizar. Para agravar, José Luís Carneiro foi visitar algumas dessas casas que estariam numa bolsa de casas a atribuir temporariamente em situações de emergência para vítimas de violência doméstica ou tráfico de pessoas, podendo mesmo ter comprometido a sua utilização para esses fins. Esta parte última é mesmo de convocar José Luís Carneiro a mais explicações. E parece-me que é, neste momento, o ponto da situação mais grave, que é ter comprometido casas para determinados fins, para as quais estariam a ser preparadas. Embora, a história está contada mais uma vez no Observador. As casas poderiam vir a ficar destinadas a outros fins, mas para aquele fim em que foram criadas, ficaram comprometidas com a exposição pública da localização que José Luís Carneiro fez. Portanto, José Luís Carneiro esteve muito mal e de facto, este lobo ficou queimado.
Ficou muito mal, José Manuel, José Luís Carneiro no meio destas acusações?
Ficou e não se compreende bem como é que se deixou apanhar nesta armadilha. Primeiro, porque fez uma acusação. Eu referi aqui num vencedor que achava muito estranha a ideia de acusar alguém de estar a guardar casas para eleições, quando não há eleições no horizonte e não haverá por vontade de quem as estaria a guardar. Portanto, era uma acusação um bocadinho bizarra na altura. Agora percebe-se que é uma acusação desequilibrada e, sobretudo, estando estas casas em municípios controlados pelo Partido Socialista, havia a obrigação de conhecer melhor as histórias. O salto seguinte, que foi ir a Grândola mostrar as casas aos jornalistas, também não correu bem. Foi um passo em falso, mas isso muitos políticos dão, todos nós damos. De vez em quando enganamo-nos, vamos um pouquinho mais longe do que queríamos ir naquele discurso, às vezes no entusiasmo, mas depois a tentativa de emendar, agravando o erro, é que me parece mais complicada e dá um sinal, porventura, e é talvez aquilo que eu acho que José Luís Carneiro tem que se preocupar, de que ele pode estar um pouco desamparado na liderança do Partido Socialista, de não ter ninguém na equipe que trabalha com ele, quer equipe política, quer equipe mais técnica de acompanhamento, que lhe chame a atenção para estes alçapões. Enfim, a história já foi contada toda pela Alexandra, não tenho nada a acrescentar. É uma solução de erro.
Deixa-me só, José Manuel, só um ponto.
Sim, José Luís Carneiro não sonhou com aquela possibilidade das casas estarem ali à espera de eleições. Alguém lhe deu a informação, como é evidente.
Pois, provavelmente.
E eu acho que ele antes mais deve rever as fontes dele. Isto é, em que informações é que acredita quando alguém supostamente vem denunciar este escândalo, que não é escândalo nenhum. Ele tem que começar por rever as fontes dele para acreditar nas coisas que lhe vão contando.
É isso que falta. Essa questão, dizias, José Manuel, que Carneiro pode estar a ser um homem sozinho aqui nesta matéria.
Sim, é precisamente este ponto. Olha, eu dou a Carneiro, enfim, isto correu tudo muito mal, eu tenho que lhe dar o meu quatro. Eu não gosto nada de dar quatros à sexta-feira, ainda por cima num dia bonito. Vê-se que a gente está preocupado com o calor, mas o dia está bonito.
É porque estás em Sintra ainda, está um bocadinho pesado.
Pois, ainda estou em Sintra, ainda está agradável.
Ainda estás no seu microclima. Já está mesmo calor. Mas um quatro para Carneiro. Alexandra, alinhas na nota.
Eu vou descer um bocadinho, mas só para concluir a minha fábula de um três dos Três Porquinhos.
Mais uma vez, uma justificação científica para todas as notas que são aqui atribuídas.
A aritmética é importante.


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