No fim de julho, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da USP (XenoBR) realizaram a eutanásia do primeiro porco clonado pelo grupo . O animal fazia parte do projeto que pretende gerar clones de suínos geneticamente modificados para produzir órgãos que possam ser utilizados no transplante em humanos. Leia mais (08/08/2026 - 06h00)

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No fim de julho, pesquisadores do Centro de Ciência para Desenvolvimento de Xenotransplante da USP (XenoBR) realizaram a eutanásia do primeiro porco clonado pelo grupo. O animal fazia parte do projeto que pretende gerar clones de suínos geneticamente modificados para produzir órgãos que possam ser utilizados no transplante em humanos.

O animal nasceu em 24 de março deste ano em Piracicaba, a 160 km da capital paulista. Ele estava saudável e sem intercorrências da clonagem, segundo Ernesto Goulart, pesquisador do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-Tronco (CEGH-CEL) do Instituto de Biociências da USP e um dos coordenadores do projeto.

Após constatar que ele havia atingido a maturação sexual —período em que os órgãos já ficam em tamanho adequado para captação para seres humanos—, a equipe decidiu eutanasiá-lo em 28 de julho, aos quatro meses e quatro dias.

O porco pesava 84 quilos, ante 1,75 kg ao nascer, e era mantido em uma unidade experimental na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste de São Paulo.

"O nascimento do primeiro porco clonado foi um marco que validou o esforço da equipe e provou que a técnica de clonagem desenvolvida do zero funcionava", afirma Goulart.

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Segundo o pesquisador, a etapa foi bem-sucedida, o que também foi evidenciado pelo nascimento de um segundo clone —este morreu pouco depois.

A decisão de eutanasiar o primeiro porco foi motivada também pelos custos de mantê-lo no biotério, de acordo com Goulart. Os ensaios iniciais previam sobrevida do animal de até sete meses.

"Tudo envolve custos, precisamos manter uma equipe, pagar insumos, manter a infraestrutura. E o projeto está em um momento em que precisamos fazer essa contenção de gastos para conseguir sobreviver até alguma liberação de recursos de projetos já aprovados, mas cujos pagamentos ainda não foram liberados", diz ele.

"Acredito que a gente acelerou um pouco [eutanásia], mas sem nenhum prejuízo aos dados principais da pesquisa nem à integridade e bem-estar do animal."

A falta de verba pode afetar também alunos de pós-graduação envolvidos na pesquisa, afirma Mayana Zatz, geneticista do CEGH-CEL. "Tivemos muitos alunos na equipe que saíram porque as bolsas acabaram. Algumas vão até dezembro, mas muitos deles já estão procurando outras oportunidades."