Morte de músico Diogo Nascimento em Goiânia causa comoção O cantor gospel Diogo Nascimento morreu na segunda-feira (20), aos 41 anos, enquanto tratava uma aplasia medular, doença rara que faz a medula óssea deixar de produzir adequadamente as células do sangue. A condição pode provocar anemia grave, infecções recorrentes e sangramentos e exige diagnóstico precoce e tratamento especializado. A medula óssea funciona como uma espécie de fábrica das células do sangue.

Por Silvana Reis, g1

25/07/2026 00h00 Atualizado 26/07/2026

Morte de músico Diogo Nascimento em Goiânia causa comoção

O cantor gospel Diogo Nascimento morreu na segunda-feira (20), aos 41 anos, enquanto tratava uma aplasia medular, doença rara que faz a medula óssea deixar de produzir adequadamente as células do sangue. A condição pode provocar anemia grave, infecções recorrentes e sangramentos e exige diagnóstico precoce e tratamento especializado.

A medula óssea funciona como uma espécie de fábrica das células do sangue. É nela que são produzidos os glóbulos vermelhos, responsáveis por transportar oxigênio; os glóbulos brancos, que atuam na defesa do organismo; e as plaquetas, fundamentais para a coagulação. Quando esse processo falha, diferentes funções do corpo passam a ser comprometidas ao mesmo tempo.

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam como a doença surge, quais são os principais sinais e de que forma os tratamentos disponíveis mudaram o prognóstico dos pacientes nas últimas décadas.

A falha acontece na 'fábrica' das células do sangue

A aplasia medular, também chamada de anemia aplástica, faz parte de um grupo de doenças conhecido como síndromes de falência medular.

Na maioria dos casos adquiridos, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células-tronco da medula óssea. São elas que dão origem às células do sangue. Com esse ataque, a produção diminui de forma acentuada e o paciente desenvolve um quadro chamado pancitopenia, caracterizado pela queda simultânea dos glóbulos vermelhos, dos glóbulos brancos e das plaquetas.

Apesar da gravidade, a doença não é contagiosa nem é considerada um tipo de câncer. Ao contrário das leucemias, por exemplo, o problema não está na produção de células anormais, mas na dificuldade da medula em produzir células suficientes para manter o organismo funcionando.

Morte de músico Diogo Nascimento em Goiânia, Goiás, causa comoção — Foto: Reprodução/Instagram de Diogo Nascimento

Sintomas entregam o que falta

Os sinais da doença refletem quais componentes do sangue estão em falta.

A redução dos glóbulos vermelhos provoca anemia, com sintomas como cansaço intenso, fraqueza, palidez e falta de ar aos esforços. Quando caem os glóbulos brancos, o organismo fica mais vulnerável a infecções, que podem evoluir rapidamente. Já a diminuição das plaquetas aumenta o risco de sangramentos espontâneos, sangramento nas gengivas ou no nariz e manchas roxas pelo corpo.

Como esses sintomas também aparecem em diversas outras doenças, eles não são suficientes para confirmar o diagnóstico.

Causa pode ser desconhecida

Descobrir por que a aplasia medular apareceu nem sempre é possível. Segundo o cirurgião pediátrico e diretor médico da Werfen, Tiago Silva, cerca de metade dos pacientes recebe o diagnóstico de uma forma considerada idiopática, quando nenhum fator consegue explicar o que levou a medula óssea a parar de funcionar.

Nos demais casos, a origem pode ser bastante variada.

A forma mais comum é a autoimune. Nela, explica a hematologista Cláudia Mariana Assato, o próprio sistema imunológico passa a atacar as células-tronco da medula óssea, reduzindo progressivamente sua capacidade de produzir as células do sangue.

A doença também pode estar associada a infecções virais, como hepatites B e C, HIV, parvovírus B19, vírus Epstein-Barr e citomegalovírus. Outras doenças autoimunes, alterações do timo e doenças linfoproliferativas também aparecem entre os fatores relacionados ao quadro.