Nas cidades do país, as motos passaram a atender diferentes necessidades de deslocamento - Arthur de Souza/Arquivo Folha Pernambuco A motocicleta ganhou espaço na mobilidade cotidiana e passou a atender diferentes necessidades de deslocamento. Ir ao trabalho, estudar, fazer compras, realizar entregas ou simplesmente atravessar a cidade são situações em que a agilidade das duas rodas pode fazer diferença.
O tamanho dessa mudança aparece nos números. Em 2025, pela primeira vez em 23 anos de estatísticas da Fenabrave, o Brasil vendeu mais motocicletas do que carros de passeio. Foram 2,2 milhões de motos emplacadas, crescimento de 17,1% sobre 2024, contra cerca de 2 milhões de automóveis.
O movimento continua em 2026. No primeiro semestre, 1,174 milhão de motocicletas foram emplacadas no país, alta de 14,1% na comparação com o mesmo período de 2025. Em julho, outras 199 mil unidades foram licenciadas, levando o acumulado do ano para cerca de 1,37 milhão.
Pernambuco Em Pernambuco, a mudança também já pode ser percebida na composição da frota. Atualmente, o estado tem 1.660.364 veículos de duas rodas, como motocicletas, motonetas e ciclomotores, contra 1.567.307 veículos de passeio. A diferença é de 93.057 unidades.
Segundo o Detran-PE, a frota total pernambucana é de 3.920.928 veículos. Com isso, as duas rodas representam 42,3% de todos os veículos registrados no estado.
A virada aconteceu em abril de 2025, quando a quantidade de motos passou pela primeira vez a superar a de carros de passeio em Pernambuco. Mais de um ano depois, a diferença não apenas permanece como aumentou.
E o mercado continua incorporando novas motocicletas. Nos primeiros cinco meses de 2026, 49.770 motos foram registradas no estado, contra 39.833 no mesmo período de 2025, um crescimento de 9.937 unidades.
Rotina Mais do que o crescimento da frota, os números ajudam a mostrar uma mudança no papel da motocicleta. O veículo passou a atender perfis diferentes de usuários, o que também contribuiu para ampliar a diversidade de modelos disponíveis.
Para Guilherme Limeira, diretor de engenharia da Avelloz, marca brasileira de motocicletas sediada em Pernambuco, a escolha deve estar relacionada à rotina de quem vai utilizar a motocicleta.
“Não existe um único conjunto de características adequado para todos os motociclistas. A escolha deve considerar as necessidades de cada pessoa e a forma como a motocicleta será utilizada”, explica.
Nesse cenário, fatores como cilindrada, tipo de trajeto, distância percorrida, condições das vias, posição de pilotagem, autonomia e capacidade de carga podem mudar de importância de acordo com o uso.
Modelos Para quem utiliza a motocicleta principalmente em deslocamentos urbanos, modelos de 125 cilindradas podem reunir características voltadas à praticidade. Peso mais baixo, partida elétrica, injeção eletrônica e freios CBS são alguns dos itens que podem facilitar a condução no trânsito das cidades. “O conjunto favorece a agilidade e a facilidade de condução em trajetos urbanos, com trânsito intenso e paradas frequentes”, afirma Limeira.
Já quem alterna entre cidade e trajetos que exigem maior versatilidade pode considerar modelos de 160 cilindradas. Potência, relação de transmissão, distância do solo e capacidade do tanque passam a ter maior peso nessa escolha. “Nesse perfil, é importante observar o conjunto do veículo e avaliar se ele oferece os recursos necessários para acompanhar os diferentes tipos de trajeto que fazem parte da rotina do condutor”, diz.
Escolha A expansão do mercado, portanto, não significa apenas mais motocicletas nas ruas. Ela também acompanha uma diversificação dos usos e das necessidades dos consumidores. “Não existe um único conjunto de características adequado para todos. A motocicleta precisa estar de acordo com a necessidade de quem vai utilizá-la”, conclui Limeira.
Em Pernambuco, onde as duas rodas já representam mais de quatro em cada dez veículos registrados, essa transformação ganhou uma dimensão ainda mais evidente. No Brasil, o recorde de vendas e a sequência de crescimento em 2026 reforçam a mesma tendência: a motocicleta deixou de ser uma alternativa para um perfil específico e passou a fazer parte da mobilidade cotidiana de uma parcela cada vez maior da população.




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