Luso-americanos ouvidos pela Lusa em San Diego consideram que as mudanças nas leis da imigração e nas operações do ICE, sob a administração de Donald Tru...
Luso-americanos ouvidos pela Lusa em San Diego consideram que as mudanças operadas pela administração norte-americana de Donald Trump nas leis da imigração e nas operações do Serviço de Imigração e Fronteiras (ICE) estão a assustar muita gente.
"Nós fomos de um extremo de imigração para um extremo de não imigração e depois muitas leis e muita perseguição em cima", disse à Lusa o português João da Silva Nunes, dono do mercado "O Prego" em San Marcos, condado de San Diego no sul da Califórnia.
"Isso causa muito transtorno na comunidade, as pessoas andam assustadas, têm medo, e muitos deles não estão ilegais", explicou. Têm processos a correr, mas temem que agentes do ICE os prendam.
A mudança das regras tem causado confusão e incerteza. Por exemplo, disse o empresário, quem se candidatar a uma autorização de residência permanente tem de regressar ao país de origem, enquanto antes podia permanecer nos Estados Unidos no decurso do processo, que pode demorar de alguns meses a vários anos.
"Há pessoas que estão a fazer tudo correto, só que, infelizmente, não está a dar opção para seguir o processo", apontou. "Então estão naquela incerteza e fica muito difícil para eles também poderem planear a sua vida. Principalmente se têm filhos".
O aumento da atividade do ICE, com rusgas em busca de imigrantes sem documentos legais, também foi referido pelo lusodescendente Kenny Alameda, que está a ver o impacto no seu negócio de imobiliário, Clipper Capital Group. "Temos apartamentos em seis estados e fomos afetados em todos", disse à Lusa. "Especialmente no Arizona".
Em estados do Centro-Oeste, há um impacto grande na construção, com o desaparecimento de trabalhadores. "Muitos dos custos estão a disparar devido à falta de mão-de-obra, como telhadores e carpinteiros", exemplificou.
Em Ramona, no condado de San Diego, houve uma rusga de imigração recente que provocou o medo entre os trabalhadores sem documentos legais. "É um problema", acrescentou Alameda, que está preocupado com as posições extremas dos dois lados das alas políticas.
"Um dos problemas é que temos políticos extremos para a direita e para a esquerda", disse. "É isso que acho que afetou a democracia".
As eleições intercalares de 03 de novembro vão decidir o controlo do Congresso e se o partido republicano do presidente Donald Trump continua a ter maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.
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