Novas imagens revelam nervos do clitóris em 3D e mudam o que se sabia sobre corpo feminino Mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) têm um risco até quatro vezes maior de sofrer eventos cardiovasculares graves, como infarto, AVC e doença arterial periférica, do que mulheres sem a condição. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health. ➡️ A SOMP é uma das condições hormonais
Por Poliana Casemiro, g1
23/07/2026 00h01 Atualizado 23/07/2026
Novas imagens revelam nervos do clitóris em 3D e mudam o que se sabia sobre corpo feminino
Mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) têm um risco até quatro vezes maior de sofrer eventos cardiovasculares graves, como infarto, AVC e doença arterial periférica, do que mulheres sem a condição. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health.
➡️ A SOMP é uma das condições hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Ela afeta a ovulação e pode causar menstruação irregular, aumento de pelos, acne e dificuldade para engravidar. Mas seus efeitos vão além do sistema reprodutivo: a síndrome também está associada a resistência à insulina, obesidade e alterações no metabolismo.
Até maio de 2026, a condição era conhecida como síndrome dos ovários policísticos (SOP). Por décadas, esse nome ajudou a consolidar a ideia de que se tratava de um problema ginecológico isolado — quando, na verdade, é uma condição hormonal e metabólica mais ampla, que afeta inclusive a saúde do coração das mulheres.
O que a pesquisa revela é que a SOMP exige atenção redobrada à saúde do coração das pacientes — independentemente da idade, do histórico cardíaco pessoal ou de casos de doença cardíaca na família. No estudo, mesmo isolando essas agravantes, o risco ainda era alto.
Para os especialistas ouvidos pelo g1, a pesquisa reforça a necessidade do acompanhamento da saúde cardíaca das pacientes diagnosticadas com a síndrome. No Brasil, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres.
Mulheres com síndrome ovariana metabólica poliendócrina (SOMP) têm um risco até quatro vezes maior de sofrer eventos cardiovasculares graves — Foto: Divulgação
O que mostrou o novo estudo
A pesquisa foi feita com base em um banco de dados de pacientes dos Estados Unidos, usando dados de mais de 400 mil mulheres, entre 18 e 50 anos com diagnóstico de SOMP.
Os pesquisadores acompanharam a ocorrência de doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA), o que inclui:
infarto;AVC;doença arterial periférica, quando o acúmulo de placas de gordura estreita as artérias.
O resultado: mulheres com SOMP tiveram risco 4,4 vezes maior de sofrer esses eventos cardiovasculares do que as mulheres do grupo de referência.
Síndrome afeta milhões de mulheres no mundo — Foto: Sora Shimazaki
O grupo com SOMP já apresentava, no início do estudo, mais fatores de risco cardiovascular tradicionais — diabetes, colesterol alterado, obesidade e hipertensão — do que o grupo de referência. Isso acontece pelo próprio quadro da doença, que causa a resistência à insulina. (Leia mais abaixo)
🔴 Mas o ponto central da pesquisa é que essa diferença, sozinha, não explica o resultado: o risco mais alto se manteve mesmo depois de os pesquisadores isolarem o efeito desses fatores.
Ou seja, diabetes, colesterol, obesidade e pressão alta, por si sós, não explicam os achados — algo na própria síndrome parece contribuir de forma independente para o risco cardiovascular.
A partir desses resultados, os autores do estudo defendem mais educação de profissionais de saúde e mais conscientização das próprias pacientes sobre o risco cardiovascular ligado à SOMP para que haja atendimento precoce e se evitem quadros mais graves .
"Isso reforça a necessidade tanto de capacitar os profissionais de saúde quanto de empoderar as pacientes em relação à prevenção, por meio da adoção e manutenção de hábitos de vida saudáveis como primeira linha de cuidado. É fundamental desenvolver e implementar intervenções preventivas, políticas públicas de saúde para reduzir o risco cardiovascular a longo prazo", afirma Cristina Carrasco, professora substituta e pesquisadora do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade da Extremadura.




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