A namorada de Fernando Sastre, condenado a 17 anos pela morte de um motorista de aplicativo e pela lesão corporal gravíssima em um amigo, foi condenada a paga...
A namorada de Fernando Sastre, condenado a 17 anos pela morte de um motorista de aplicativo e pela lesão corporal gravíssima em um amigo, foi condenada a pagar 10 salários mínimos por "perturbar" o julgamento do réu.
Giovanna Pinheiro terá que pagar aproximadamente R$ 16.010 por atrapalhar o julgamento balançando a cabeça e falando durante o depoimento de uma testemunha. O julgamento se encerrou na madrugada de hoje após dois dias de júri no Fórum Criminal da Barra Funda.
A namorada de Fernando Sastre estava convocada para depor durante o depoimento, mas não compareceu. A Justiça, então, determinou um mandado de condução coercitiva contra ela, que não foi encontrada em seu endereço.
Com a ausência de Giovanna, a defesa desistiu de ouvi-la. Com sua oitiva desabilitada, ela passou a acompanhar o julgamento da plateia, junto com familiares e amigos do réu.
Durante o depoimento de uma das testemunhas dos fatos, ela ficou inquieta. No momento em que a depoente falava que Fernando Sastre havia faltado com o respeito contra ela à época dos fatos, Giovanna começou a gesticular negativamente com a cabeça e a comentar com uma pessoa do lado.
O promotor de Justiça, Rodolfo Justino Moraes, flagrou o momento e solicitou a expulsão de Giovanna do plenário. Ele argumentou que a mulher se negou a prestar depoimento em Juízo e ainda agiu para tumultuar o julgamento.
Eu já acho um absurdo uma testemunha compromissada não comparecer ao presente ato. Estamos falando aqui da testemunha Giovanna. Como se não bastasse isso, temos aqui a testemunha, essa sim exemplar, que comparece, dá o depoimento dela, e a gente ainda tem que ficar aqui observando a testemunha de defesa fazendo um ar negativo balançando a cabeça. Eu vou pedir encarecidamente a vossa excelência, além de pedir que seja aplicada multa, eu peço que retire Giovanna do plenário.Rodolfo Justino Moraes
O pedido foi atendido pela juíza Melanie Liesenberg, que mandou ela ser conduzida para fora do plenário. O MPSP (Ministério Público de São Paulo) solicitou punição contra Giovanna e pagamento de multa pelo episódio, que também foi atendido pelo Juízo.
O MPSP alegou, ainda, que vai entrar com pedido de apuração contra Giovanna Pinheiro por falso testemunho. Ela relatava durante todo o processo penal que Fernando não havia bebido momentos antes da colisão que vitimou fatalmente o motorista de app. Contudo, o próprio Fernando confessou no julgamento que bebeu drinques naquela noite.
A sanção contra Giovanna, que é o pagamento da multa, se trata de uma medida processual-disciplinar. A sentença da juíza não a condena por falso testemunho, que deverá ser julgado em momento oportuno. O UOL não conseguiu contato com a defesa de Giovanna.
O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho foi condenado a 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, em regime inicial fechado, pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana e pelas lesões gravíssimas causadas ao amigo Marcus Vinicius Machado Rocha. A sentença foi proferida por volta de 1h30 de hoje.
O Tribunal do Júri reconheceu homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima qualificada. A defesa sustentou que o caso era de homicídio culposo — sem intenção de matar — e pediu o afastamento da qualificadora de perigo comum, mas os jurados acataram a tese do MPSP.
Sastre não poderá recorrer em liberdade e também foi declarado inabilitado para dirigir. A defesa entrou com recurso contra o resultado. O advogado de Fernando, Eugênio Malavasi, diz que ele recebeu a sentença com tristeza, mas que respeita a decisão da Justiça.
O julgamento começou com atraso após a ausência de Giovanna Pinheiro. A Justiça expediu mandado de condução coercitiva para que ela comparecesse ao plenário.
A defesa acabou desistindo de ouvi-la. Giovanna e uma tia do réu foram retiradas da sessão após fazerem gestos durante depoimentos.
No primeiro dia, foram ouvidas nove pessoas, entre testemunhas oculares e familiares. Lucas Silva, filho de Ornaldo, relatou o sofrimento psicológico e as dificuldades financeiras da família desde a morte do pai. Segundo ele, o Renault Sandero usado por Ornaldo tinha financiamento em aberto, o seguro havia deixado de ser pago no mês da colisão e o veículo teve perda total.
Lucas disse ainda que a família recebe ligações de cobrança e que um representante do banco já foi até a casa deles. A defesa afirmou que Sastre presta auxílio financeiro à família e que tramita ação cível pedindo R$ 5 milhões por danos.
Ao final do julgamento, a família relatou que a "justiça foi feita". Em entrevista para jornalistas, Lucas Silva relatou que desde a morte do pai, a família permanecia apreensiva, indo rotineiramente na delegacia para saber informações do caso.
No segundo dia, Sastre confessou, pela primeira vez, que havia consumido bebida alcoólica antes de dirigir o Porsche 911. Ele disse ter tomado drinks em um restaurante antes da colisão, negou ter bebido na casa de pôquer visitada em seguida e afirmou que sua memória sobre o acidente ficou "fragmentada".
O réu disse que tentou frear ao ver o carro de Ornaldo à frente, mas sofreu um apagão. Antes, ele havia negado ter bebido em depoimentos e entrevistas anteriores.




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